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Agricultura

Quem são os investidores em agricultura?

Quem são os investidores em agricultura?
Quando se fala em investimento no agronegócio, quais são os perfis de investidores mais relevantes? O mapeamento das principais transações revela que os fundos de investimento especializados, os fundos generalistas e os family offices representam 60% das principais operações. Os grupos industriais destacam-se por serem os mais ativos, levando a restante fatia da tarte.

Qual é o perfil dos investidores em agronegócio? De acordo com a análise das transações mais recentes, feita pela CBRE, cerca de 30% do volume investido entre 2000 e 2024 foi feito por fundos de investimento especializados em agronegócio. “Estamos a falar de fundos que foram levantados só para investir nesta classe de ativos”, explica Manuel Albuquerque, Diretor de Agronegócio para o Sul da Europa da CBRE.

Seguem-se os fundos generalistas, que representam 20%. Estes são fundos de capital risco, ou similares, que investem em todo o tipo de setores, mas que estão a apostar cada vez mais em agricultura.

Ainda dentro do scope financeiro, destaque para uma última classe, que são os family offices, com cerca de 10% das transações. São tendencialmente investidores financeiros que pretendem preservar o património acumulado por uma família, e que podem vir de setores que não tenham a ver com o agrícola, florestal ou alimentar.

Os restantes 40% dos investimentos são feitos por players industriais, que podem ter perfis diferenciados: “aqui estamos a falar tanto de produtores de grande escala, tipicamente locais, como também, por exemplo, operadores de retalho, que querem fazer uma integração no negócio agrícola”, frisa Manuel Albuquerque.

A origem
Quando falamos em investimentos na Península Ibérica, os fundos especializados em agribusiness são, na sua grande maioria, de origem anglo-saxónica, tipicamente do Canadá, Estados Unidos ou Reino Unido.  Também se observa a entrada de outros players do centro da Europa ou da América Latina, mas em menor escala.
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Em comum, todos mantêm uma visão global sobre as oportunidades no agronegócio, sem uma alocação fixa a um continente ou país.

No caso dos investidores latino-americanos, observa-se uma presença mais significativa de capital proveniente de famílias, family offices ou estruturas semelhantes, ou empresários com elevado património. Trata-se, muitas vezes, de investidores oriundos de países onde o sucesso de um negócio pode gerar fortunas consideráveis, mas onde a perceção de risco é maior (político, económico e monetário) em comparação com a Europa.

Já o investidor norte-americano tende a seguir uma lógica diferente. O seu interesse passa por apostar em terras que ainda se encontram a preços relativamente competitivos e onde é possível produzir bens de elevado valor, semelhantes aos que poderiam ser produzidos nos Estados Unidos, mas a um custo substancialmente mais baixo.

Principais tipos de investidores

Fundos especializados em agronegócios

  • Fundos com experiência A/B (equipas com experiência do lado operacional e financeiro), tipicamente anglo-saxónicos, já com experiência em agronegócios
  • Institucionais e de visão a médio/longo prazo
  • Com preferência em culturas específicas
  • Operações de maior volume e com exposição a terra

Fundos Generalistas

  • Fundos sem estratégia ou especialização agro, abordagem mais generalista
  • Private Equity
  • Foco no Real Estate (comprar para arrendar)
  • Operações de volume pequeno a grande

Family office

  • Famílias ou investidores privados, com ou sem conexão ao agronegócio
  • Locais, menos especializados, mais flexíveis
  • Investimentos mais baixos, com formatos de delegação do risco operacional da operação

Players industriais

  • Produtores locais ou estrangeiros de culturas específicas
  • Normalmente integrados verticalmente
  • Locais, mais flexíveis e com maior especialização
  • Preferência por culturas específicas para complementar janelas de produção

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