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Agricultura

Estudo identifica microrganismos que reforçam raízes em solos salinos

Estudo identifica microrganismos que reforçam raízes em solos salinos iStock

Investigadores descobriram que bactérias benéficas do solo podem ajudar as plantas a resistir melhor a solos salinos ao estimular uma substância natural que torna as raízes mais resistentes.

Os resultados do estudo, publicados na revista Science Advances, apontam para novas possibilidades no desenvolvimento de tratamentos biológicos para culturas agrícolas expostas ao stress salino.

 

A equipa, que inclui cientistas da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, analisou a forma como microrganismos naturais do solo interagem com culturas expostas à salinidade, incluindo milho e tomate.

Segundo os investigadores, a acumulação de sal em terras agrícolas é um problema crescente, associado às alterações climáticas, às práticas de rega e à subida do nível do mar. O excesso de sal prejudica o crescimento das plantas, danifica as raízes e pode reduzir a produtividade das culturas.

 

“O sal sufoca o crescimento das plantas, danifica as raízes e afeta gravemente colheitas inteiras, colocando em risco o abastecimento global de alimentos”, afirmou Jonathan Todd, da Universidade de East Anglia.

Os investigadores observaram que plantas em condições de solo salino tendem a recrutar bactérias benéficas em torno das raízes. Entre esses microrganismos, as pseudomonas surgiram de forma consistente junto das raízes de plantas sujeitas a stress salino, em diferentes culturas e tipos de solo.

 

De acordo com Jonathan Todd, estas bactérias apresentam genes especializados que lhes permitem tolerar níveis elevados de sal, incluindo sistemas de transporte de sódio e outros mecanismos de resistência ao stress.

A equipa testou depois estirpes selecionadas de pseudomonas em plantas de soja. Em ensaios em estufa e no campo, as bactérias colonizaram as raízes e melhoraram o crescimento das plantas em condições salinas.

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“Descobrimos que as plantas tratadas com estas bactérias apresentaram sistemas radiculares mais fortes, melhor desenvolvimento e maiores rendimentos em comparação com as plantas não tratadas cultivadas em solos salinos”, afirmou o investigador.

O estudo revelou ainda que o efeito protetor não resulta da redução dos níveis de sal nos tecidos das plantas. Ao contrário do que se pensava, as bactérias não atuaram através do controlo do transporte de sódio ou do equilíbrio iónico.

Em vez disso, as bactérias estimularam as plantas a produzir mais de uma substância natural que torna as raízes mais resistentes. Nas raízes das plantas tratadas com bactérias, o teor desta substância aumentou significativamente, com algumas medições a subirem mais de 30% sob stress salino.

Os investigadores identificaram ainda genes associados ao aumento da produção desta substância. Quando esses genes foram ativados artificialmente, as plantas resistiram melhor ao solo salino. Já as plantas que não conseguiam produzir esta substância não beneficiaram da presença das bactérias, o que mostra que esta substância é essencial para o efeito protetor observado.

“Esperamos que esta descoberta abra novas possibilidades para a agricultura”, afirmou Jonathan Todd. “Ao aproveitar microrganismos naturais podem ser desenvolvidos tratamentos de base biológica que ajudam as culturas a crescer em solos salinos sem o uso intensivo de produtos químicos.”

Segundo o investigador, as soluções microbianas poderão tornar-se uma ferramenta relevante para manter a produtividade agrícola e apoiar a segurança alimentar em áreas afetadas pela salinidade.