O Grupo Lactogal, através da Pronicol e da Unicol — União de Cooperativas da ilha Terceira e Graciosa —, vai lançar o Programa Produtor Milhafre Graciosa, um projeto-piloto que pretende alterar o modelo de pagamento e valorização do leite na ilha Graciosa.
De acordo com o comunicado de imprensa, a partir de 1 de julho de 2026, a matéria-prima deixará de ser remunerada exclusivamente com base no volume entregue, passando a ser valorizada também em função do seu destino industrial: a produção de queijo Ilha Graciosa da marca Milhafre dos Açores.
O programa piloto decorre entre 2026 e 2030 e introduz um sistema de pagamento que procura premiar a concentração de sólidos úteis do leite, nomeadamente proteína e gordura, por serem determinantes para o rendimento real na produção de queijo.
O modelo assenta num Roteiro Técnico até 2030, que prevê o acompanhamento da evolução das unidades produtivas através de apoio veterinário, nutricional e de maneio, financiado pelo Grupo Lactogal.
Os produtores que aderirem voluntariamente ao programa recebem, além do preço base recalibrado, o Prémio Milhafre, um bónus fixo de mais 1,00 cêntimo por quilo, bem como ferramentas de digitalização para as suas explorações.
Segundo o Grupo Lactogal, o projeto foi desenhado para apoiar o futuro da produção de leite na Graciosa, através de um modelo de negócio mais rentável e atrativo para os produtores. A intenção é incentivar a permanência na atividade e contrariar a tendência de abandono ou reconversão para outras áreas.
“No ano em que celebramos 30 anos, reafirmamos o nosso compromisso com os Açores através de ações concretas. O futuro do leite açoriano não passa por competir em volume com a Europa, mas sim por liderar no valor acrescentado, na sustentabilidade e no orgulho das comunidades que lhe dão origem. A Graciosa é o ponto de partida desta transformação”, afirma José Marques, presidente do Conselho de Administração do Grupo Lactogal.
A ilha Graciosa foi escolhida para o arranque do piloto devido à sua escala controlada, à tradição queijeira e à proximidade entre a produção local, a cooperativa e a unidade industrial da Pronicol.
“Este projeto nasce da proximidade e do diálogo. Não queríamos apenas um acordo comercial de curto prazo, queríamos dar estabilidade e previsibilidade aos nossos produtores. Ao ligar diretamente o preço do leite ao prestígio e rendimento do queijo Ilha Graciosa Milhafre, estamos a valorizar o trabalho de quem está na terra e a garantir que o valor gerado fica na nossa ilha”, destaca João do Couto, da Unicol.
Embora o projeto comece na Graciosa, o Grupo Lactogal e os seus parceiros admitem a possibilidade de expansão. A ilha será usada como laboratório de inovação territorial e sustentabilidade.
Caso o modelo demonstre eficácia na melhoria do rendimento dos produtores e no aumento da qualidade do leite destinado à transformação, a metodologia poderá ser replicada noutras zonas dos Açores e, eventualmente, noutros territórios da Península Ibérica.

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