Especial Financiamento

Dinheiro para (quase) tudo no investimento agrícola

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O setor agrícola e agroalimentar tem estado em destaque na economia nacional nos últimos anos, nomeadamente devido ao aumento das exportações. Para isso, é preciso investir, e as empresas do setor têm-no feito. Dedicamos esta semana aos Apoios e Financiamentos que, com a agricultura na moda, se têm vindo a multiplicar. Fomos falar com consultores, associações e empresas sobre os programas europeus e nacionais, como o PDR 2020 e o Portugal 2020, os financiamentos bancários, mas também com business angels e o capital de risco.

Durante muito tempo, a agricultura nacional esteve quase vetada ao esquecimento por parte, nomeadamente, das entidades bancárias, pelo que o financiamento provinha apenas de meios próprios e dos poucos empréstimos a que os empresários agrícolas conseguiam recorrer.

Com a entrada na Comunidade Económica Europeia (CEE), hoje União Europeia (UE), o setor teve acesso a uma ‘chuva’ de subsídios que ajudou os agricultores a investir na modernização das suas explorações e em novas culturas fazendo crescer a agricultura nacional. Embora, para uma opinião pública mal esclarecida tenha ficado a imagem de subsídio dependência…

Uma imagem que só desapareceu nos últimos anos, com a vinda para a agricultura de muitos jovens e empresários de outras áreas, fazendo dela uma moda. Para isso, contribuíram os vários Programas Operacionais (PO), como o FEDER, Fundo de Coesão, FSE, FEADER, mas principalmente o PRODER e PDR.

Agora, é o Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020 (PDR2020) – com uma verba total na ordem dos 4,2 mil milhões de euros – a base de apoio ao setor que tem como objetivo apoiar o investimento em explorações agrícolas e florestais, em empresas agroindustriais e à instalação de jovens agricultores, potenciando as condições para aumentar a competitividade das empresas.

Já o Portugal 2020 resulta de um acordo de parceria realizado entre o nosso país e a Comissão Europeia e reúne a atuação dos cinco Fundos Europeus Estruturais e de Investimento – FEDER, Fundo de Coesão, FSE, FEADER e FEAMP – no qual se definem os princípios de programação que consagram a política de desenvolvimento económico, social e territorial para promover, em Portugal, entre 2014 e 2020. Estes princípios de programação estão alinhados com o Crescimento Inteligente, Sustentável e Inclusivo, prosseguindo a Estratégia Europa 2020.

Portugal vai receber 25 mil milhões de euros até 2020, para tal definiu vários objetivos para estimular o crescimento e a criação de emprego, como o estímulo à produção de bens e serviços transacionáveis; o incremento das exportações; a transferência de resultados do sistema científico para o tecido produtivo; a promoção do desenvolvimento sustentável, numa ótica de eficiência no uso dos recursos e o reforço da coesão territorial, entre outros.

O Portugal 2020 dá também grande destaque à estratégia de investigação e inovação, incluindo para isso os financiamentos do Compete e de todos os programas regionais Centro 2020, Norte 2020, Alentejo 2020, etc..

Os bancos nacionais, seguindo o crescimento do setor, também começaram a apostar no financiamento de projetos agrícolas, tendo hoje todos soluções específicas para Tesouraria, Crédito ao Investimento, Linhas de Crédito ligadas aos programas europeus e Leasing, entre outras.

Por último, as empresas agrícolas começam já também a suscitar interesse do capital de risco e de financiadores privados, como os business angels, que podem até colmatar a parte que os próprios empresários têm de dispor para terem acesso, por exemplo, aos financiamentos comunitários. E, claro, que convém também não esquecer que muitos financiamentos dos agricultores provêm de fundos próprios que investem ou reinvestem nos seus projetos, bem como de empréstimos familiares, que têm sido um grande suporte do setor.