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Agroindústria

Preço dos alimentos atinge maior pico internacional da década

A FAO revelou que o índice de preços para alimentos atingiu os 130 pontos em setembro deste ano, o maior valor desde 2011.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) revelou que o índice de preços para alimentos atingiu os 130 pontos em setembro deste ano, o maior valor desde 2011. Em comparação com o mesmo mês em 2020, os preços aumentaram 32,8%. Já comparando com agosto deste ano, o crescimento é de 1,2%.

Em comunicado, a organização informa que os aumentos se deveram ao agravamento das condições de fornecimento e da forte procura por colheitas como o trigo e o óleo de palma. Os preços em relação ao trigo aumentaram quase 4% de agosto para setembro, e estão 41% mais elevados que há um ano atrás.

 

No geral, os cereais viram os seus preços aumentar por 2% face a agosto. Os preços do arroz e do milho também registaram aumentos. No caso deste último, a subida foi de apenas 0,3%, embora, se comparado com setembro do ano passado, os preços estejam 38% superiores. Tal deve-se à melhoria das perspetivas globais de culturas e o início das colheitas nos Estados Unidos da América e na Ucrânia contrariaram em grande medida o impacto das perturbações portuárias relacionadas com o furacão nos EUA.

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“Entre os principais cereais, o trigo será o foco nas próximas semanas, uma vez que a procura precisa de ser testada contra o rápido aumento dos preços”, diz o economista sénior da FAO, Abdolreza Abbassian.

 

Relativamente ao preço dos óleos vegetais este aumentou 1,7% num mês e cerca de 60% em relação a 2020. Para tal contribuiu o facto de os preços internacionais do óleo de palma terem atingido máximos de 10 anos devido à procura robusta de importação global e às preocupações sobre a falta de trabalho migratório que impactam a produção na Malásia. Os preços mundiais do óleo de colza também cresceram acentuadamente, enquanto as cotações de óleo de soja e de girassol diminuíram.

Outros aumentos:

  1. Os lacticínios aumentaram 1,5% num mês, resultado da procura e de fatores sazonais na Europa e na Oceânia. Em destaque, esteve o aumento da cotação para a manteiga;
  2. O preço do açúcar aumentou 0,5% face a agosto. Em comparação a setembro de 2020, o crescimento do índice de preços foi de 53,5% – devido às condições climáticas adversas e aos preços mais elevados do etanol no Brasil. O abrandamento da procura e as boas perspetivas de produção na Índia e na Tailândia reduziram a pressão;
  3. O índice de preços da carne manteve praticamente inalterado em setembro, sendo que em comparação ao ano anterior subiu 26,3%. As cotações da carne de bovino e de bovino aumentaram devido às condições de abastecimento apertadas, enquanto as das aves de capoeira e da carne de suíno diminuíram no meio de um aumento da oferta da primeira, e uma menor procura deste último na China e na Europa.

Produção de cereais

A produção de cereais deverá atingir o maior recorde de sempre este ano, com 2 800 milhões de toneladas. Apesar disso, esse volume é menor que os requerimentos de consumo antecipados para 2021/2022.