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Transição

Era provavelmente o último reduto de produção agrícola que ainda vivia do sequeiro. Os produtores de cereais fizeram contas e, face aos preços praticados no mercado, não é viável continuar a depender de S. Pedro e a viver com baixas produtividades.

Era provavelmente o último reduto de produção agrícola que ainda vivia do sequeiro. Os produtores de cereais fizeram contas e, face aos preços praticados no mercado, não é viável continuar a depender de S. Pedro e a viver com baixas produtividades.

As experiências com rega já começaram, com resultados animadores, e todos parecem estar convencidos de que não há outra hipótese para quem quer continuar a produzir e competir em cerealicultura.

 

Com o regadio de Alqueva a chegar ao Baixo Alentejo, a disponibilidade de água é uma realidade para uma área que até aqui não tinha qualquer possibilidade de apostar no regadio.

Trigos, cevadas, centeios e aveias vão entrar num novo patamar. O que significa que o grau de exigência vai aumentar, e muito. Bem como a necessidade de investimento e maior acompanhamento das culturas por parte do agricultor. No fundo, é preciso seguir o chamado ‘itinerário técnico’ do regadio, onde regar é apenas uma variante da complexa equação que envolve a escolha de sementes adequadas, a técnica de mobilização de terras, a adubação, os tratamentos fitossanitários, os sistemas de agricultura de precisão, entre outros… E, necessariamente, uma visão empresarial que permita gerir com racionalização de custos/eficácia, nunca descurando a qualidade final do produto. O mesmo é dizer muito profissionalismo.

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Para tudo isto é necessário que continuem os trabalhos de investigação aplicada, determinantes para a tomada de decisão do agricultor, e que se incentive esta transição.

Para tudo isto é necessário perceber que o custo da água, se falarmos em perímetros de rega públicos, não pode ser uma limitação nas contas de cultura.

 

Para tudo isto, é necessária coragem política para defender um sector constantemente mal amado pelo poder e por quem define estratégias de investimento neste país.

Um pequeno exemplo que veio de França: o presidente Sarkozy mediou, e acaba de impor, um acordo entre as maiores cadeias de distribuição francesas no sentido de não esmagar as margens da produção em situações conjunturais de crise. Uma medida só possível quando realmente se acredita na importância de uma agricultura dinâmica e rentável. É assim tão difícil de entender?