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Combater doenças nas novas condições climáticas

As alterações climáticas trouxeram mudanças ao impacto das doenças da vinha e à forma de combatê-las. Para perceber que mudanças são essas e como os produtores se devem adaptar, a Bayer Crop Science organizou um fórum sobre fitossanidade da vinha que reuniu especialistas e produtores em torno deste tema.

As alterações climáticas trouxeram mudanças ao impacto das doenças da vinha e à forma de combatê-las. Para perceber que mudanças são essas e como os produtores se devem adaptar, a Bayer Crop Science organizou um fórum sobre fitossanidade da vinha que reuniu especialistas e produtores em torno deste tema.

As mudanças climáticas têm consequências na evolução das doenças e os produtores devem estar despertos para essa realidade. Invernos mais chuvosos, como o deste ano, aumentam o risco de ataques mais agressivos eobrigam a uma maior vigilância dos viticultores.

O especialista em doenças da vinha e ex-membro do francês INRA (Institut Scientifique de Recherche Agronomique), Yvon Bugaret, alerta para a necessidade de “observações regulares e de criação de fichas como guia para a elaboração de estratégias de medidas profiláticas e de luta química”.

Este controlo, para ser eficaz, deverá ter, a jusante, uma gestão climática. Possível através de estações meteorológicas que façam uma avaliação rigorosa dos riscos de desenvolvimento de doenças com recurso a modelos matemáticos. Uma ferramenta essencial que poderá dar indicações sobre quando actuar na vinha. “É uma modelização que permite reagir de forma atempada à evolução das doenças, potenciada pelas alterações climáticas”, reforça Yvon Bugaret.

Para ser útil, este modelo de previsão, que estima o risco epidemiológico, deverá ter em conta quatro vectores: clima, vinha, solo e parasitas. No cruzamento destes dados, e a partir da informação das primeiras infecções e de indicadores como a humidade do solo, consegue-se prever os índices de risco, a contaminação e a evolução dos parasitas.

 

 

Escoriose: uma doença em progressão

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Nas castas portuguesas, a Touriga Nacional é a mais receptiva à escoriose. De acordo com Yvon Bugaret, é uma “doença em forte progressão após a proibição do arsenito de sódio”, um produto altamente nocivo para o ambiente e para o aplicador.

Na decisão de aplicação de tratamento para esta doença há três indicadores que deverão ser considerados. A vinha receptiva, com 20 a 40% dos gomos já abrochados, o estado sanitário, com a observação de sintomas à poda, e a previsão de chuva, que aumenta o risco de contaminação. “Se os três indicadores estiverem presentes o tratamento é obrigatório. Basta um dos indicadores não estar presente para o produtor poder optar por não fazer tratamento”, realça o especialista.

Ao considerar estratégias de tratamento, o viticultor pode escolher entre fungicidas de contactos ou penetrantes ou ainda fungicidas sistémicos. Na primeira hipótese serão necessárias duas aplicações. A primeira quando 30 a 40% dos gomos de base tenham atingido o estado sensível e a segunda quando 30 a 40% dessa proporção se encontrar no estado de dois terços das folhas de separação. Mas a aplicação com fungicida sistémico é, de acordo com Yvon Bugaret, a “estratégia mais interessante”. Só uma aplicação poderá ser suficiente para as vinhas atacadas moderadamente. Mais aplicações serão necessárias se a vinha estiver fortemente atacada ou as condições climatéricas tornem difíceis a aplicação de um só tratamento.