Dessa forma, o Presidente da República olhou para a Agricultura Nacional com um só olho ( ou nem isso…) para ver grandes empresas do agro negócio e das produções superintensivas. Grandes empresas do agro negócio que nem sequer pagam impostos em Portugal e que utilizam modos de produção super-intensivos a degradar os recursos naturais e os ecossistemas.
Assim, Cavaco Silva esqueceu, ou não quis ver, o essencial e que mais mexe com a População:
– A difícil situação da Agricultura Familiar, dos pequenos e médios Agricultores, das Produções Nacionais de bens agro alimentares.
– O desaparecimento forçado de largas dezenas de milhar de Explorações Familiares.
– Os défices “suicidas” em termos das nossas necessidades alimentares e da balança agroalimentar de pagamentos (em que o défice anda em 3 500 milhões de euros por ano).
– A extrema dependência do nosso País em Cereais, Carne e Componentes de Rações para a alimentação animal.
– Esqueceu a ditadura comercial exercida pelos Hipermercados que estrangulam a Produção Nacional enquanto promovem as importações de bens alimentares sem controlo eficaz.
– Esqueceu a ruína e a desertificação do Mundo Rural Português.
– Esqueceu, ou não quis ver, que o setor agrícola português tem vindo a afastar-se, cada vez mais, das médias europeias em termos de produtividades, de rendimentos dos Agricultores e de auto- aprovisionamento em bens agroalimentares.
– Cavaco Silva afirmou, até, que tem melhorado a qualidade alimentar da População, o que chega a ser insultuoso para quase metade dos Portugueses que andam subnutridos, que passam fome, que se sujeitam a comer aquilo que de mais barato encontram nos Hipermercados sem cuidar de saber de onde vêm ou como são produzidos esses Produtos Alimentares.
Ou seja, no seu discurso, o Presidente da República assumiu dar toda a cobertura propagandística às más políticas agrícolas e de mercados definidas e aplicadas no âmbito da PAC e de sucessivos governos com destaque para o governo atual.
Lamentavelmente, foi “apenas” isso que se aprestou a fazer ignorando os problemas graves da Lavoura, da Alimentação e das Populações Rurais.
Porventura, Cavaco Silva também quis escamotear as suas graves responsabilidades históricas enquanto Primeiro Ministro. Período durante o qual foi um dos principais “coveiros” da Agricultura Nacional (e das Pescas), particularmente nas más opções na fase de adesão e pós-adesão, à então CEE e à PAC; na Reforma da PAC de 1992 que acabou por ser ruinosa para a nossa Agricultura sobretudo com a baixa política dos preços à produção; na antecipação (em dois anos) do período previsto para o “mercado único” do setor do Leite e dos Laticínios; opções que, entre outras, muito contribuíram para a ruína da Agricultura Familiar e do Mundo Rural Português.

