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Comunicado CNA: Ao contrário do que diz o presidente da República, a agricultura portuguesa não vive num oásis

Procura por máquinas agrícolas desacelera na Europa

O Presidente da República resolveu dar destaque à Agricultura no seu discurso de 10 de Junho, circunstância que poderia ser útil se devidamente aproveitada. Porém, Cavaco Silva enveredou pelo elogio fácil e propagandístico a alguns dados da situação do agrorrural e da alimentação em Portugal.

Dessa forma, o Presidente da República olhou para a Agricultura Nacional com um só olho ( ou nem isso…) para ver grandes empresas do agro negócio e das produções superintensivas. Grandes empresas do agro negócio que nem sequer pagam impostos em Portugal e que utilizam modos de produção super-intensivos a degradar os recursos naturais e os ecossistemas.

Assim, Cavaco Silva esqueceu, ou não quis ver, o essencial e que mais mexe com a População:

 

– A difícil situação da Agricultura Familiar, dos pequenos e médios Agricultores, das Produções Nacionais de bens agro alimentares.

– O desaparecimento forçado de largas dezenas de milhar de Explorações Familiares. 

 

– Os défices “suicidas” em termos das nossas necessidades alimentares e da balança agroalimentar de pagamentos (em que o défice anda em 3 500 milhões de euros por ano).

 – A extrema dependência do nosso País em Cereais, Carne e Componentes de Rações para a alimentação animal.

 

– Esqueceu a ditadura comercial exercida pelos Hipermercados que estrangulam a Produção Nacional enquanto promovem as importações de bens alimentares sem controlo eficaz.

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– Esqueceu a ruína e a desertificação do Mundo Rural Português.

 

– Esqueceu, ou não quis ver, que o setor agrícola português tem vindo a afastar-se, cada vez mais, das médias europeias em termos de produtividades, de rendimentos dos Agricultores e de auto- aprovisionamento em bens agroalimentares.

– Cavaco Silva afirmou, até, que tem melhorado a qualidade alimentar da População, o que chega a ser insultuoso para quase metade dos Portugueses que andam subnutridos, que passam fome, que se sujeitam a comer aquilo que de mais barato encontram nos Hipermercados sem cuidar de saber de onde vêm ou como são produzidos esses Produtos Alimentares.

Ou seja, no seu discurso, o Presidente da República assumiu dar toda a cobertura propagandística às más políticas agrícolas e de mercados definidas e aplicadas no âmbito da PAC e de sucessivos governos com destaque para o governo atual.

Lamentavelmente, foi “apenas” isso que se aprestou a fazer ignorando os problemas graves da Lavoura, da Alimentação e das Populações Rurais.

Porventura, Cavaco Silva também quis escamotear as suas graves responsabilidades históricas enquanto Primeiro Ministro. Período durante o qual foi um dos principais “coveiros” da Agricultura Nacional (e das Pescas), particularmente nas más opções na fase de adesão e pós-adesão, à então CEE e à PAC; na Reforma da PAC de 1992 que acabou por ser ruinosa para a nossa Agricultura  sobretudo com a baixa política dos preços à produção;  na antecipação (em dois anos) do período previsto para o “mercado único” do setor do Leite e dos Laticínios; opções que, entre outras, muito contribuíram para a ruína da Agricultura Familiar e do Mundo Rural Português.