“Este relatório irá fornecer informações aos governos ou Organizações não governamentais que tentam refrear o avanço da fome e da pobreza, fornecendo um guia claro para expansão ou replicação dos casos de sucesso em qualquer lugar”, refere o Presidente do Worldwatch, Christopher Flavin.
“Precisamos que as pessoas que influenciam o desenvolvimento agrícola mundial se comprometam com o apoio a longo prazo aos agricultores, que constituem 80% da população da África”, considerou ainda.
Danielle Nierenberg, co-directora do projecto “Nutrindo o Planeta”, da Worldwatch, aponta o caminho a percorrer: “As soluções não virão necessariamente da maior produção de alimentos, mas da mudança do que as crianças comem nas escolas, da forma como os alimentos são processados e comercializados e no tipo de comércio de alimentos em que se está a investir”.
O relatório aponta ainda casos estudados e divulgados, para que possam inspirar o que pretende ser uma crescente comunidade envolvida em actividades agrícolas: “Na Kibera, Nairobi, a maior favela do Quénia, mais de 1000 agricultoras estão a cultivar hortas ‘verticais’ em sacos de terra perfurados, para alimentar as suas famílias e comunidades”. Também “o programa Desenvolver Inovação para o Cultivo em Escolas (Developing Innovations in School Cultivation – DISC) está a integrar hortas de vegetais nativos e informações sobre nutrição e preparação de alimentos, no programa das escolas, de modo a ensinar as crianças a cultivar variedades locais que irão auxiliar no combate à falta de alimentos e revitalizar as tradições culinárias do país”.
Segundo o relatório, o “desinvestimento” na agricultura e em projectos agrícolas em África é constante. Em 2010 investiu-se menos 4 mil milhões de dólares do que no ano anterior. Uma situação que promove a pobreza e “fome crónica”, sentida com maior ênfase nos países ditos “em desenvolvimento”.

