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Agroindústria

O futuro do setor agroalimentar: 10 tendências para 2026

O futuro do setor agroalimentar: 10 tendências para 2026 iStock

Em 2026, o setor agroalimentar continuará a evoluir, com destaque para as proteínas vegetais e a saúde digestiva. Num cenário onde os consumidores procuram um equilíbrio entre saúde, indulgência, sustentabilidade e acessibilidade, as marcas terão de atender a uma procura crescente por produtos que ofereçam benefícios múltiplos, alinhando inovação e responsabilidade ambiental.

Estas conclusões foram apresentadas pela consultora internacional Innova Market Insights, a convite da PortugalFoods, entidade gestora do Portuguese Agrofood Cluster, durante o seminário “Trends 2026”, que se realizou ontem, dia 10 de fevereiro.

 

De acordo com a análise, estas tendências refletem uma abordagem integral do consumo, na qual esses fatores se combinam para atender às expectativas de um mercado global cada vez mais exigente e bem informado.

“As tendências do setor agroalimentar para 2026 confirmam uma evolução clara nas preferências dos consumidores, que procuram cada vez mais produtos que combinem saúde, sustentabilidade e prazer, sem comprometer o valor económico. Esta conjugação de fatores desafia o setor a inovar de forma responsável e colaborativa, reforçando o papel estratégico das cadeias agroalimentares nacionais e internacionais na promoção de sistemas alimentares mais saudáveis, resilientes e inclusivos”, referiu Deolinda Silva, Diretora Executiva da PortugalFoods.

 

E continua: “é interessante constatar que a saúde, o prazer, a sustentabilidade ambiental e a acessibilidade económica deixam de ser valores isolados para se tornarem pilares integrados de decisão, orientando o desenvolvimento de produtos e modelos de negócio mais alinhados com os desafios sociais e ambientais que enfrentamos”.

Para Enric Tardio, da Innova Market Insights, “o estudo Trends 2026 evidencia uma convergência clara entre inovação científica, expectativas do consumidor e responsabilidade sistémica. Observamos que áreas como as proteínas alternativas, a saúde digestiva e alimentos funcionais deixam de ser nichos para se tornarem motores centrais de crescimento, enquanto fatores como prazer, sustentabilidade e preço passam a ser avaliados de forma integrada nas decisões de compra a nível global”.

 

Segundo a análise, num contexto onde os consumidores procuram cuidar de si mesmos e do planeta, a indústria deve, tanto em seu portfólio de produtos quanto em sua comunicação, levar em conta as 10 principais tendências reveladas pelo estudo Trends 2026, que irão impactar o setor agroalimentar este ano e no futuro próximo:

1.Powerhouse protein: De acordo com o estudo, a proteína continua essencial para o bem-estar, com os consumidores cada vez mais focados em incorporá-la nas suas dietas para diferentes benefícios à saúde. Três em cada cinco consumidores aumentaram a ingestão de proteína, e 32% estão atentos a novos produtos que destacam os seus benefícios para a saúde.

 

Esses benefícios incluem suporte capilar, saúde oral, controlo de peso, antienvelhecimento, saúde digestiva, cardiovascular, óssea, imunológica, cerebral, ocular, articular e da pele, além de aumentar a energia.

Em comparação a 2025, há um crescimento de 29% no lançamento de produtos alimentares e bebidas com foco em proteína e controlo de peso. A indústria está a investir significativamente em inovações que combinam saúde e proteína.

2.Gut Health Hub: A investigação concluiu que a saúde digestiva é cada vez mais vista como essencial para o bem-estar global, o que tem impulsionado a procura de benefícios para o corpo e a mente.

Segundo a análise, 59% dos consumidores consideram a saúde digestiva muito importante, e 44% notaram melhorias em áreas como energia, pele e imunidade ao melhorar a saúde intestinal. Em comparação com 2025, houve um crescimento de 42% no lançamento de novos produtos alimentares e bebidas com foco na saúde digestiva.

3.Layers of delight: A indulgência está a tornar-se numa experiência que combina prazer sensorial e bem-estar, sublinhou o estudo. Os consumidores destacam quatro pilares da indulgência nos alimentos e bebidas: “momentos reconfortantes”, “melhoria do humor”, “experiência sensorial rica” e “prazer mais saudável”.

De acordo com o estudo, 60% dos inquiridos gostam de explorar novidades quando se permitem ser indulgentes. O “conforto” tem levado a um aumento de 107% nos lançamentos com esse foco. Quase metade dos novos produtos (46%) oferecem “uma nova experiência”. Houve um aumento de 26% no lançamento de produtos que prometem momentos de prazer.

4.Beverages with purpose: Segundo o estudo, as bebidas estão a liderar a inovação em bem-estar, oferecendo produtos focados em hidratação, praticidade e funcionalidade.

A análise concluiu que 51% dos consumidores aumentaram o consumo de bebidas por serem saudáveis, com 23% das bebidas analisadas a destacarem-se por serem “com baixo teor de açúcar” ou “feitas com ingredientes naturais”, enquanto 13% apresentam “alto teor de proteína” e 12% incluem ingredientes como cálcio, ferro ou probióticos.

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Além disso, houve um aumento de 51% no lançamento de refrigerantes e bebidas energéticas com ingredientes probióticos. A categoria de bebidas inclui água engarrafada, refrigerantes, bebidas energéticas, café, chá, sumos, bebidas vegetais e lácteas, entre outras.

5.Authentic plant-based: A investigação concluiu ainda que o conceito de produtos à base de plantas está a evoluir de imitação para nutrição, com os consumidores a escolherem alimentos naturalmente ricos em proteína vegetal devido aos seus benefícios funcionais.

Segundo o estudo, 55% dos consumidores considera que os produtos vegetais devem ter identidade própria e benefícios únicos, em vez de serem apenas substitutos de produtos convencionais. As fibras também são um argumento importante relacionado com a saúde, destacado por 16% dos inquiridos.

6.Made for moments: A inovação para momentos de consumo em casa tem crescido, especialmente em snacks, refeições frescas e produtos em monodose. Entre os inquiridos que vivem sozinhos (18% do total), 64% fazem as principais refeições (pequeno-almoço, almoço e jantar) sozinhos.

7.Worth every bite: Com a crescente pressão económica, a acessibilidade e a disponibilidade de produtos a preços acessíveis tornam-se fatores-chave na fidelização e escolha dos consumidores, enfatizou o relatório.

Nesse contexto, os produtos de marca própria continuam a ser uma solução eficaz, com 27% dos inquiridos a aumentarem o consumo desses produtos. Desses, 49% consideram que têm uma boa relação “custo-benefício” e 41% afirmam que têm “boa qualidade”.

O estudo Trends 2026 também revelou um crescimento de 7% no lançamento de novos produtos (alimentos e bebidas) de marca própria.

8.Mind balance: De acordo com a análise, o bem-estar mental e emocional é cada vez mais uma prioridade, com os consumidores a escolherem alimentos e bebidas mais naturais para melhorar a energia, reduzir o stress e apoiar a saúde mental.

Três em cada cinco consumidores – especialmente da Geração Z e Millennials – estão preocupados com a sua saúde mental, dando atenção ao stress, ansiedade, foco, níveis de energia e memória. Embora os botânicos continuem populares, os adaptogénicos estão a ganhar destaque, com um crescimento de 18% no lançamento de novos produtos.

9.Crafting tradition: Em tempos de incerteza, a herança gastronómica influencia as escolhas dos consumidores ao oferecer conforto, identidade e autenticidade, concluiu a investigação. 23% dos inquiridos continuam a usar receitas tradicionais, e 17% exploram outras culturas através da comida.

Quando os alimentos estão ligados à tradição, memórias e sentimentos, mais de um terço dos inquiridos diz que isso lhes traz felicidade, conforto e conexão com a família.

10.Justified choices: A sustentabilidade continua a ser um fator decisivo, especialmente quando é tangível, transparente e genuína, avançou o estudo.

Segundo a mesma análise, dois em cada cinco consumidores afirmam que a sustentabilidade é importante na hora de comprar alimentos e bebidas. Os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis, desde que as marcas mostrem, por exemplo, apoio a produtores ou comunidades locais, proteção ambiental ou uso de embalagens sustentáveis.