Quantcast
Agricultura

Casa Prudêncio estreia-se na noz com balanço positivo

PHOTO 2025 12 17 14 53 26 Direitos Reservados

A expansão da noz em Portugal continua a atrair novos projetos agrícolas. Na Casa Prudêncio, em Almeirim, a primeira campanha do pomar de nogueiras instalado em 2021 terminou com um balanço positivo, superando as expectativas iniciais. A experiência revelou potencial produtivo, mas também expôs limitações logísticas e a necessidade de prudência numa fileira ainda em consolidação.

A aposta da Casa Prudêncio nos frutos secos é recente e nasce da necessidade de diversificar a atividade agrícola. O pomar de nogueiras foi instalado em 2021, em Almeirim, numa altura em que a empresa procurava culturas menos intensivas em mão de obra do que os pequenos frutos, área onde tradicionalmente se concentrava. A decisão não foi tomada de ânimo leve. “Foi uma decisão ponderada, mas sabíamos que estávamos a entrar numa cultura nova para a empresa”, explica Cláudia Andrade Serrano, responsável pelo projeto, sublinhando que a nogueira representava uma mudança significativa face ao histórico produtivo da exploração.

A campanha agora concluída foi a primeira colheita do pomar e acabou por correr melhor do que o esperado. “Excedeu as nossas expectativas”, afirma, explicando, no entanto, que as previsões iniciais tinham sido conservadoras e que a produção acabou por ser superior ao valor antecipado. A variedade escolhida foi a Chandler, apesar das dúvidas iniciais quanto à adaptação às horas de frio da região, mas apesar de saber “que estávamos no limite, mas decidimos avançar”, refere a responsável, acrescentando que, para já, a adaptação foi positiva, tanto em termos de produção como de qualidade e calibre.

O pomar tem 12 hectares e está localizado numa zona onde a noz não era uma cultura tradicional, embora nos últimos anos tenham surgido novos investimentos no Ribatejo. Ainda assim, a condução agrícola não trouxe surpresas relevantes, já que “em termos de rega, fertilização e tratamentos, não foi muito diferente de outras culturas que já trabalhamos”, explica Cláudia Andrade Serrano, sublinhando que o acompanhamento técnico e a utilização de sondas permitiram manter o controlo desde o início e ajustar as decisões à evolução do pomar.

Os principais desafios surgiram na fase da colheita e do pós-colheita, áreas para as quais a empresa não dispunha ainda de estrutura própria. “Não tínhamos capacidade instalada para essa fase”, reconhece, explicando que a solução inicial passava por recorrer a uma unidade industrial próxima, mas a capacidade revelou-se insuficiente. “Acabámos por ter de enviar parte da produção para a Nogam, em Évora, para lavagem e secagem”, diz, apontando esta etapa como um dos pontos mais frágeis da fileira, sobretudo para produtores de menor dimensão que não têm escala para investir em unidades próprias.

banner APP

Apesar desses constrangimentos, o balanço da campanha foi positivo, também porque conseguiram colher toda a produção antes do início da chuva. “Tivemos sorte”, afirma, consciente de que este fator penalizou fortemente outros produtores de noz e amêndoa este ano. A experiência reforçou, no entanto, a perceção de que a logística do pós-colheita terá de ser mais bem planeada no futuro. “É uma questão que vamos ter de resolver”, admite.

Para já, não estão tomadas decisões quanto à expansão da área de pomar. A prioridade passa por acompanhar a entrada deste em velocidade de cruzeiro e perceber a produtividade real ao longo de várias campanhas. “Queremos primeiro perceber como a plantação se comporta”, explica, lembrando que a questão das horas de frio continua a pesar na avaliação. “A Chandler está no limite para esta região e, com a redução das horas de frio nos últimos anos, temos de ser prudentes”, acrescenta, afastando decisões precipitadas.

Já em termos de mão de obra, a primeira campanha foi assegurada com recursos internos, mas a responsável reconhece que o aumento da produção colocará novos desafios. “Com mais produção, vamos precisar de mais pessoas”, afirma, sublinhando que a disponibilidade de mão de obra continua a ser uma incógnita transversal à agricultura.

Também a sustentabilidade faz parte do modelo produtivo da Casa Prudêncio, que trabalha com certificações como GlobalGAP e GRASP, aposta na utilização eficiente da água e na monitorização da rega através de sondas. A aplicação de fitofármacos é feita de forma criteriosa. “Só tratamos quando é necessário”, refere. Sobre a eventual autorização da aplicação de fitofármacos por drones, Cláudia Andrade Serrano considera que se trata de uma ferramenta relevante para a agricultura, nomeadamente pela eficiência que pode trazer às operações. No caso da noz, admite, no entanto, que existam desafios específicos associados à dimensão das árvores. “Com árvores desta dimensão, ainda temos dúvidas sobre a eficácia”, afirma, referindo que a aplicação terá de ser avaliada em função das características da cultura.

E, para quem pondera entrar hoje na cultura da noz, o conselho é cautela. “É preciso fazer bem as contas e não entrar de ânimo leve”, afirma Cláudia Andrade Serrano. A responsável sublinha que a decisão exige uma análise cuidada da variedade a instalar e da sua adaptação à região, incluindo a disponibilidade de horas de frio, bem como da logística necessária para a colheita e o pós-colheita, que nem sempre está assegurada localmente. O escoamento da produção é outro fator determinante, sobretudo para produtores sem escala ou estrutura própria. Neste contexto, a ligação a associações como a Portugal Nuts é vista como uma mais-valia. “É importante trocar informação e perceber o que está a acontecer no setor”, conclui.