Garantindo que está a acompanhar “há muito tempo” a evolução das relações produtivas nesta área, Assunção Cristas remeteu para setembro a apresentação, por parte do seu ministério, de um conjunto de propostas legislativas aos vários parceiros, “para serem discutidas entre todos e depois aprovadas pelo Governo”, avança a Rádio Renascença.
“O leite é prioritário para nós e é um setor que nós temos vindo a acompanhar”, disse, reconhecendo que neste momento os produtores enfrentam dificuldades acrescidas devido à seca, que faz aumentar os custos de produção, “e os valores pagos ao produtor têm vindo a diminuir”.
Numa carta aberta, a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) alertou para “o risco de extinção” do setor, face à descida dos preços pagos à produção e ao aumento dos custos.
“Os produtores estão esmagados entre os baixos preços pagos pelo leite e os elevadíssimos custos dos fatores de produção”, denuncia a Aprolep, alertando que as “perspetivas” apontam para um novo “agravamento da situação no setor”.
Em conferência de imprensa na Póvoa de Varzim, a associação recordou que a soja, “um dos principais componentes da alimentação das vacas leiteiras”, quase duplicou o preço e está atualmente a 56 cêntimos por quilo, “com ameaças de mais subidas em setembro devido à seca nos EUA e na Rússia”, enquanto os preços do gasóleo “bateram sucessivos recordes”.
Em sentido inverso, o preço do leite pago ao produtor desceu entre 2,5 e 4,5 cêntimos por litro desde o início do ano, “havendo compradores que desceram em agosto e outros que ameaçam descer em setembro”.

