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Vinhos podem aumentar 40% na Grã-Bretanha

Vinhos podem aumentar 40% na Grã-Bretanha

O Governo do Reino Unido está a preparar um aumento mínimo de 40% nos preços de bebidas alcoólicas, num esforço para reduzir o consumo excessivo de álcool. Com a nova lei os vinhos dos países do Sul da Europa e do “novo mundo”, tradicionalmente com mais álcool, podem ser os mais afetados.

Marcas australianas como Hardy’s and Lindeman’s, favorita entre os britânicos pela relação qualidade preço, poderá sofrer um aumento de preço na ordem dos 40% devido ao novo regulamento, segundo uma pesquisa de mercado realizada pela consultora Nielsen.

O Parlamento escocês já aprovou uma legislação que prevê que as bebidas alcoólicas vendidas no norte da fronteira, a partir da próxima primavera, tenham um preço unitário mínimo de 50 libras (61,7 euros), avança o The Telegraph.

 

O impacto desta medida pode significar, por exemplo, o aumento de preço de uma garrafa de vinho tinto de 2,99 libras, com 9,4% de álcool, para as 3,76 libras.

A medida está a gerar alguma controvérsia junto da indústria e produção de vinho, com Gavin Partington, diretor executivo da Wine and Spirit Trade Association, a referir que se opõe “a medidas de preços mínimos” e às “restrições propostas para as promoções que irão afetar negativamente os consumidores do Reino Unido”. Para o responsável, o problema com o consumo excessivo de álcool deveria ser combatido “com uma vasta gama de políticas educacionais, com campanhas de informação e uma melhor aplicação da legislação já existente”.

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Andrew Opie, da British Retail Consortium, também partilha da opinião: “é simplista imaginar que uma medida destas, com preços mínimos, se torne numa solução mágica para o consumo irresponsável”.

Contudo há quem tenha recebido bem esta proposta, como é o caso da retalhista britânica Tesco, que está “ansiosa para incluir os novos preços” e participar “de forma construtiva nas discussões com o Governo”, sublinhou Dan Jago, diretor de cervejas, vinhos e bebidas e espirituosas da Tesco.

 

Para o primeiro-ministro David Cameron, trata-se de uma “viragem” nos hábitos alcoólicos dos britânicos, que no ano passado, alertou, “contribuiu para um 1,2 milhões de pessoas internadas nos hospitais devido a ‘bebedeiras’”.

“Um aumento de 40% nos preços pode significar uma redução de cerca de 50 mil crimes por ano e 900 menos mortes relacionadas com o álcool até ao final da década”, acrescentou.