Pecuária

Porco Bísaro em crescimento

porco bísaro

No passado, a sul do Tejo, criavam-se porcos de raça Alentejana e a partir da outra margem a escolha recaía no Bísaro. De quase extinto, este animal de grande rusticidade cria produtos valorizados. A Associação Nacional de Criadores de Suínos de Raça Bísara criou e gere o Livro Genealógico da Raça Bísara e executa o Plano de Melhoramento e Conservação da Raça.

O porco Bísaro é um caso de sucesso na pecuária portuguesa. Ano após ano cresce o efetivo. Da iminente extinção, esta raça de suínos está valorizada. Os consumidores reconhecem a qualidade e pagam o fumeiro mais caro do país, o de Vinhais – afirma Carla Alves, secretária técnica da Associação Nacional de Criadores de Suínos de Raça Bísara (ANCSUB).

Em 1995, a ANCSUB deitou mãos ao trabalho, instituindo o Registo Zootécnico da Raça. Há 20 anos, esta raça suína autóctone estava praticamente extinta. “O trabalho de recuperação, realizado ao longo destes anos, permitiu livrar a raça da extinção, tendo registado sempre um aumento anual do efetivo”, salienta Carla Alves.

Hoje há cerca de 4000 porcas reprodutoras, uma situação possível por via da valorização dos produtos obtidos, criação de canais de escoamento e dispositivos comunitários de defesa das especificidades das carnes – Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP).

Hoje há 130 suinicultores a criarem bísaros, sendo o efetivo médio por exploração de 33 porcas. “O número médio, ou seja a dimensão do efetivo, tem vindo a crescer”, sublinha Carla Alves.

“O atrativo é a mais-valia na venda dos animais, porque se trata de uma raça diferenciadora, com uma carne de enorme qualidade organolética, a procura para produtos DOP e IGP é grande, e o escoamento da produção está garantido.”

Esta responsável justifica a decadência da produção do borco Bísaro com a conjugação de um conjunto de fatores, como a peste suína africana, “a apetência por carnes mais magras e de crescimento rápido, a evolução da suinicultura intensiva, o cruzamento com raças precoces, o abandono da agricultura”.

Segundo Carla Alves, a recuperação justifica-se com os trabalhos de promoção junto de criadores, o apoio técnico da associação, além das “oportunidades de escoamento a melhor preço”, resultantes das certificações dos produtos. “O atrativo é a mais-valia na venda dos animais, porque se trata de uma raça diferenciadora, com uma carne de enorme qualidade organolética, a procura para produtos DOP e IGP é grande, e o escoamento da produção está garantido”, avança a responsável.

O Livro Genealógico da Raça Bísara tem um regulamento do qual faz parte uma grelha de classificação. E é através da apreciação morfológica dos animais que estes são pontuados, de acordo com as características da raça. As medidas de apoio contemplam 200 euros por cabeça.

Atualmente são abatidos cerca de 200 leitões por semana. “Quanto aos porcos adultos é bastante sazonal, coincidindo com o inverno, a altura de maior número de abates para fumeiro de Vinhais IGP”, esclarece a responsável da ANCSUB.

Carne de Bísaro Transmontano DOP, Presunto Bísaro de Vinhais IGP, Alheira de Vinhais IGP, Alheira de Mirandela IGP, Salpicão de Vinhais IGP, Chouriça Doce de Vinhais IGP, Chouriço Azedo de Vinhais IGP, Chouriça de Carne de Vinhais IGP e Butelo de Vinhais IGP são os produtos com proteção de genuinidade e proveniência.

“Os consumidores reconhecem a qualidade destes produtos e estão dispostos a pagar mais. Como exemplo posso dizer-lhe que o fumeiro de Vinhais é o mais caro do país, e não tem dificuldade de escoamento”, realça.

Embora este seja um caso de sucesso, o trabalho não está concluído. Uma das razões é a dispersão das explorações pelo território a norte do Tejo. O mercado da carne não está ainda bem estruturado, devido à dispersão das explorações e às pequenas quantidades de produto. “O mercado do leitão já funciona bem, mas apenas para o grande Porto. Quanto aos enchidos de Vinhais e Mirandela, estão muito bem implantados em todo o país”.

“Os consumidores reconhecem a qualidade destes produtos e estão dispostos a pagar mais.”

Quanto ao maneio sanitário “é igual a qualquer outra raça de suínos, que tem a Aujesky como vacinação obrigatória”.

Carla Alves explica que o porco Bísaro é um animal de grande rusticidade. Por isso, o regime de exploração indicado é semiextensivo: “Nunca deverão ser explorados em regime intensivo”, avisa a secretária técnica da ANCSUB. “São animais criados em parques ou cercas, maioritariamente sem alimento disponível, pelo que terá de ser fornecido no local. São alimentados com misturas de cereais equilibradas e alguns produtos hortícolas. A castanha de refugo também é um alimento utilizado, nos meses de outubro e novembro”, remata.

Artigo publicado na edição de abril de 2015 da revista VIDA RURAL