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Agricultura

Investigadores no Canadá desenvolvem solução que melhora adesão de pesticidas às folhas

Investigadores no Canadá desenvolvem formulação que melhora adesão de pesticidas às folhas iStock

Investigadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, desenvolveram uma solução baseada em estruturas nanométricas que melhora a adesão de pesticidas às folhas das plantas, mesmo em condições de vento e chuva.

O estudo, intitulado “Self-assembly of cellulose nanocrystals for splash suppression and enhanced pesticide delivery on hydrophobic surfaces”, foi publicado no Journal of Colloid and Interface Science.

 

Em ensaios iniciais de campo realizados em parcelas de couve, em Singapura, com um parceiro industrial, a formulação superou os sistemas convencionais de aplicação. Segundo a informação disponibilizada, estes sistemas recorrem a químicos e solventes para ajudar as gotículas a aderir às folhas, enquanto a nova formulação permitiu melhor controlo de pragas com menor utilização de pesticida.

“Com a nossa nova formulação, o pesticida é disperso em água”, afirma Michael Tam, professor de engenharia química na Universidade de Waterloo. “Estamos a pulverizar água, não solvente, tornando esta abordagem bem alinhada com os objetivos da agricultura sustentável”, enalteceu.

 

A aplicação eficaz de pesticidas nas culturas é apontada como um dos desafios da agricultura. Atualmente, os líquidos são habitualmente aplicados através de bicos de pulverização, pulverizadores de névoa e aviões. Estes métodos podem falhar na deposição precisa dos produtos nos locais pretendidos, uma vez que as gotículas podem ressaltar nas superfícies foliares, dispersar-se no ar ou ser arrastadas para o solo e linhas de água.

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Para responder a este problema, os investigadores alteraram a superfície de partículas, criando uma formulação baseada em nanoestruturas que estabiliza as gotículas de pesticida sem recurso a químicos ou solventes. A formulação recorre a partículas de celulose de carbono neutro, combinadas com água, pesticidas e nanopartículas inorgânicas e metálicas.

 

“Esta formulação única melhora significativamente a resistência das gotículas, eliminando os salpicos durante o processo de impacto”, refere Michael Tam, acrescentando que a eficácia foi confirmada através de imagens de alta velocidade.

Em vez de salpicarem, se fragmentarem ou ressaltarem nas folhas, as gotículas permanecem intactas no impacto e achatam-se numa película em forma circular, aderindo à superfície foliar. Segundo os investigadores, o método mantém a estabilização mesmo quando a tensão superficial é reduzida pela chuva e pelo vento, uma diferença face às tecnologias existentes.