Um consórcio nacional está a desenvolver novas aplicações industriais para a resina natural, com foco na valorização de colofónia , um constituinte da resina de pinheiro, em setores como embalagens alimentares, têxtil, calçado e automóvel.
De acordo com o comunicado de imprensa, o trabalho está a ser desenvolvido no CeNTI, no âmbito do RN21, um Projeto Mobilizador de âmbito nacional centrado na produção e transformação da resina natural. O objetivo é valorizar um recurso de base biológica proveniente de florestas portuguesas e substituir materiais de origem fóssil, sem comprometer o desempenho técnico exigido pelas aplicações industriais.
Na área das embalagens, uma das principais linhas de investigação envolve o desenvolvimento de revestimentos funcionais com propriedades de barreira a gases para aplicação em embalagens e filmes biodegradáveis. No âmbito do projeto, estas soluções foram validadas para embalamento de carne a vácuo.
Foram também desenvolvidos sistemas de encapsulação de derivados de colofónia com agentes ativos de propriedades antimicrobianas e antioxidantes. Estas soluções procuram prolongar a vida útil dos produtos embalados, melhorar a segurança alimentar e contribuir para a redução do desperdício, funcionando como alternativa aos plásticos convencionais.
Além das embalagens alimentares, os derivados de colofónia estão a ser testados em aplicações para o setor têxtil. Integrados em fibras, malhas e acabamentos, estes constituintes de base natural permitiram melhorar a solidez, a resistência, a durabilidade e o desempenho funcional dos materiais.
Na indústria do calçado, a investigação centra-se sobretudo na integração de derivados de colofónia em solas e adesivos, incluindo diferentes matrizes biopoliméricas. O objetivo passa por melhorar o desempenho mecânico e a durabilidade das solas, abrindo caminho à potencial substituição de materiais sintéticos convencionais por alternativas de base biológica.
A resina natural está também a ser aplicada na indústria automóvel, através da integração de derivados de colofónia em biopolímeros termoplásticos para injeção de peças plásticas de interior. De acordo com a informação divulgada, foi possível substituir parcialmente resinas sintéticas por derivados de colofónia em até 30%, mantendo propriedades técnicas adequadas.
Segundo Lorena Coelho, investigadora responsável pelo projeto no CeNTI, a investigação procura responder à dependência de matérias-primas petroquímicas. “Enquanto as soluções convencionais dependem maioritariamente de resinas, plastificantes e aditivos petroquímicos, as tecnologias desenvolvidas permitem incorporar matérias-primas renováveis, reduzir a pegada ambiental e a dependência de recursos fósseis, sem comprometer o desempenho final. Os derivados de colofónia desenvolvidos foram, inclusivamente, ajustados e adaptados à medida de cada aplicação/setor, garantindo um desempenho equivalente ou superior”, afirma.
A responsável destaca ainda a versatilidade dos derivados de colofónia. “Os derivados de colofónia têm uma grande versatilidade em termos de química e aplicações. Uma das principais vantagens destas soluções é precisamente a sua versatilidade. Além de apresentarem uma maior compatibilidade com biopolímeros, estas formulações podem ajustar-se a diferentes matrizes poliméricas, processos industriais, setores e aplicações. Assim, é possível obter melhores resultados em termos de propriedades/funcionalidades, tais como estabilidade, durabilidade, mecânicas e de barreira”, explica.
Para Lorena Coelho, os resultados obtidos representam uma inovação relevante no contexto nacional por disponibilizarem alternativas de base biológica face às soluções fósseis dominantes no mercado.
“Embora existam desenvolvimentos internacionais neste domínio, a integração destas tecnologias em cadeias de valor industriais nacionais posiciona o país de forma competitiva e diferenciadora face ao exterior, promovendo a transição para materiais mais sustentáveis e com valor acrescentado”, conclui.

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