Agricultores no Reino Unido estão a testar mapas de previsão de lesmas desenvolvidos com modelos computacionais, no âmbito de um projeto de investigação que procura melhorar o controlo desta praga e reduzir o uso de pesticidas.
De acordo com os responsáveis do projeto, a ferramenta permite identificar zonas de maior risco nos campos cultivados e direcionar melhor a aplicação de armadilhas.
No Reino Unido, os prejuízos em trigo e colza causados por lesmas estão estimados em quase 44 milhões de libras por ano. Além dos cereais, as lesmas consomem sementes de cevada, aveia e trigo, alimentam-se de folhas jovens em germinação e podem danificar batata e culturas hortícolas.
O trabalho está a ser desenvolvido no âmbito do projeto Slimers, um programa de três anos iniciado em 2023 e com conclusão prevista para o final de agosto. O projeto tem um orçamento de 2,6 milhões de libras, é financiado pelo Departamento de Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido e liderado pela British On-Farm Innovation Network.
A iniciativa recrutou 28 agricultores “caçadores de lesmas” para trabalhar com cientistas e aprofundar o conhecimento sobre o comportamento destes invertebrados. Para recolher dados, os agricultores instalaram armadilhas nas suas explorações. A informação obtida foi integrada num modelo computacional, que utiliza um algoritmo para prever onde as lesmas poderão surgir nos campos cultivados. Foram também recolhidas amostras de solo.
Os mapas de previsão resultantes foram testados por 16 agricultores durante o último outono e inverno. De acordo com a informação divulgada, a ferramenta já permitiu reduzir para metade a quantidade de armadilhas utilizadas no controlo da praga.
Charles Paynter, agricultor de Bedfordshire envolvido no projeto desde o início, afirma que já reduziu o uso de pesticidas. “O meu limiar para tomar medidas de controlo é agora mais elevado, porque consegui comprovar que posso avaliar os riscos da atividade das lesmas com maior precisão”, afirmou.
O projeto surge também num contexto de maior procura por alternativas aos pesticidas. O metaldeído, substância química comummente usada em produtos para controlo de lesmas no Reino Unido, foi proibido em 2022, o que levou ao aumento da utilização de grânulos de fosfato férrico.
Segundo os investigadores, há confiança no funcionamento da ferramenta. “Já sabíamos que as lesmas não surgiam aleatoriamente nos campos, mas que formavam manchas distintas de acordo com o tipo de solo e as condições climáticas”, afirmaram.
Os responsáveis acrescentam ainda que os dados recolhidos pelos agricultores permitiram aprofundar esse conhecimento e confirmar a hipótese sobre a forma como os focos de lesmas se reorganizam após períodos de encharcamento.
“Em solos com mais abundância de água, os aglomerados tornam-se instáveis e desfazem-se, mas agora confirmámos que se reformam temporariamente em locais onde não os esperaríamos em condições normais e, em seguida, regressam rapidamente às suas áreas previstas assim que as condições típicas do solo retornam”, explicaram.
Outra vertente do projeto Slimers está dedicada ao desenvolvimento de variedades de trigo resistentes à lesma. Os cientistas identificaram três áreas do genoma do trigo associadas à resistência à lesma, uma descoberta que poderá apoiar o desenvolvimento de novas variedades menos suscetíveis a esta praga.

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