Agricultura

FFA 2018 pede ação concertada entre ambiente e agricultura por “um futuro saudável”

FFA 2018 pede ação concertada entre ambiente e agricultura por “um futuro saudável”

Bruxelas foi esta terça-feira (27 de março) palco da 11ª edição do ‘Forum for the Future of Agriculture’ (FFA), uma organização da Syngenta e da European Landowners Organization (ELO). Sob o mote ‘Healthy Farming, Healthy Food, Healthy Future’, a edição deste ano reuniu cerca de 1200 pessoas para debater um futuro de ação concertada entre a agricultura e o ambiente por um planeta mais sustentável.

Janez Potočnik, Chairman do FFA, abriu o evento referindo que “precisamos de lideranças inspiradas para conseguir um futuro saudável, para transformar as nossas explorações agrícolas e modelos económicos e para criar mudanças reais no terreno que vão ao encontro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Todos nós, desde os agricultores aos consumidores, aos políticos e líderes de negócios, precisamos de fazer parte desta disrupção positiva na nossa forma de pensar e nas ações que nos conduzirão para segurança alimentar e ambiental”.

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Para além disso, o responsável afirmou que “não valorizamos o nosso capital ambiental, desvalorizamos a mão de obra e sobrevalorizamos os ganhos financeiros a curto prazo. Se queremos ser sustentáveis, devemos curar a doença e não apenas tratar os seus sintomas.” O Chairman do FFA terminou pedindo aos presentes para pararem “de fazer workshops e fotos de grupo sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A mudança não vem de os colocarem como um anexo nos vossos relatórios anuais”.

A Rainha da Jordânia, uma das convidadas da edição deste ano, reforçou esta ideia, referindo que “devemos ter maior urgência nas nossas ações. A natureza interconectada das alterações climáticas e má gestão de recursos com a segurança alimentar e, por consequência, segurança humana, estão a ter profundas consequências internacionais atualmente”. Para além disso, a rainha com origem síria e norte-americana sublinhou que é preciso dar mais poder à mulheres na agricultura uma vez que estas são “o pilar da produção alimentar e do sustento das famílias em muitas comunidades”.

Massimo Bottura, chef do restaurante italiano Osteria Francescana e fundador da organização Food for Soul, que se dedica à preparação de refeições com alimentos desperdiçados para pessoas em situação de vulnerabilidade social, sublinhou durante a sua intervenção que é preciso mudar a perceção do que é desperdício. Na sua opinião, “comida desperdiçada é igual a ingredientes normais”.

Para além disso, Bottura defendeu que “a comida é uma ferramenta poderosa para a mudança”, razão pela qual decidiu lançar uma organização que pretende devolver dignidade aos momentos de refeição de pessoas que de outra forma de não teriam a oportunidade de desfrutar de uma refeição assim.

FFA 2018 pede ação concertada entre ambiente e agricultura por “um futuro saudável”

O chef italiano sublinhou ainda também os chefs devem ter hoje um papel ativo na transição para um mundo mais sustentável: “há 20 anos atrás, quantas vezes viam um chef em cima de um palco? Os chefs raramente saíam dos seus restaurantes. Hoje, temos uma voz”.

Já Louise O.Fresco, investigadora da Wageningen University & Research, defendeu a criação de um tratado internacional para a agricultura e alimentação que possa dar resposta “aos desafios de um futuro mais saudável”. De acordo com a investigadora, o futuro da alimentação e da agricultura passará não só pelo desenvolvimento de novas fontes de proteína, mas também pela utilização da tecnologia a favor da produção agrícola, nomeadamente com hortas verticais ou ecossistemas agrícolas controlados por tecnologias como LED ou sensores. “Devemos otimizar a utilização de todas as coisas que prejudicam as pessoas e o ambiente (…) Num futuro muito próximo, não podemos ter nos supermercados produtos que não sejam de origem sustentável”.

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De resto, Louise O. Fresco acredita que para transitarmos para um mundo mais sustentável, devemos apostar na educação das crianças e jovens.  “A educação para a agricultura deve começar mais cedo. As crianças aprendem sobre história e geografia, no entanto não são ensinadas sobre alimentação e água e deviam ser.”

Frans Timmermans, Comissário Europeu para Melhor Regulação e Relações Interinstitucionais, reforçou esta ideia, sublinhando que “a Europa só pode ser uma sociedade sustentável se encontrarmos o balanço certo entre as sociedades urbanas e rurais”.

Comissário Europeu para a Agricultura quer que o setor seja visto como “parte da solução”

Phil Hogan, Comissário Europeu para a Agricultura, foi um dos oradores convidados para debater o futuro da PAC e defendeu que esta é uma política da qual a Europa precisa: eu acredito genuinamente que sim. Nós precisamos que os nossos agricultores sejam valorizados e vistos como parte da solução e não como parte do problema.”

O responsável aproveitou a ocasião para lembrar que o Greening na PAC pós-2020 terá um novo sistema que substituirá o atual, nomeadamente com “objetivos mensuráveis e medidas ajustadas a cada Estado-Membro”.

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Para além disso, Phil Hogan garantiu que no próximo mês de maio será feita uma proposta de reforço de legislação relativamente às práticas de comércio desleais. Segundo o Comissário, se forem aprovadas, estas medidas “irão reforçar a posição dos agricultores na cadeia de abastecimento alimentar europeia”.

*a jornalista viajou para Bruxelas a convite da Syngenta