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Agricultura

Escassez de mão obra na agricultura europeia pode ser devastadora

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A Europa pode vir a enfrentar sérios problemas de escassez de mão de obra para as campanhas de colheita que se avizinham, em consequência das atuais restrições à circulação entre fronteiras devido ao coronavírus.

O secretário-geral da associação europeia de agricultores COPA-COGECA, Pekka Pesonen, citado pelo site euractiv.com, revela que as movimentações habituais de trabalhadores sazonais vão ter restrições com um impacto a longo prazo, e que se podem estender para além de 2020.

Com o fecho das fronteiras, milhares de trabalhadores agrícolas ficarão impedidos de chegar às explorações onde iriam trabalhar, numa altura em que se aproximam as campanhas de colheitas para muitas culturas.

Esta redução de disponibilidade de mão de obra, diz Pesonen, pode ter “um efeito devastador no setor”,  dado o vasto número de países europeus vulneráveis a esta situação, exemplificando com o caso italiano e espanhol, os maiores produtores europeus de frutas e legumes, e que sofrerão um impacto mais significativo.

De acordo com associação italiana de agricultores Coldiretti, mais de 25% dos alimentos produzidos em Itália dependem do trabalho de 370.000 trabalhadores sazonais que atravessam a fronteira todos os anos, mais de metade oriundos da Roménia.

A agricultura francesa também está sob pressão, dada a necessidade de mais de 200.000 trabalhadores para os campos franceses só para colheita de frutas e legumes. A maior confederação de agricultores franceses, a FNSEA, está mesmo a tentar recrutar ajuda junto da comunidade estudantil para tarefas de curta duração, de forma a conseguir suprir as necessidades no setor.

Também a Inglaterra está preocupada com estas restrições, uma vez que precisa anualmente de 100.000 trabalhadores para dar conta das tarefas agrícolas. Uma necessidade sentida também na Alemanha, cujo Governo já está a trabalhar na flexibilização das leis laborais e a promover o recrutamento online.

Laissez-passer

No início da semana o presidente do Comissão de Agricultura Europeia, Norbet Lins, escreveu uma carta ao Comissário Europeu da Agricultura, Janusz Wojciechowski, ressalvando que a livre circulação de trabalhadores é critica para atividade agrícola, em especial no setor hortofrutícola e na vinha: “O acesso de trabalhadores deve ser facilitado através de um acordo entre países de origem, de trânsito e de destino”, propõe.