Portugal foi classificado como o país com o sistema alimentar e agrícola mais resiliente entre 60 países avaliados pelo Índice de Sistemas Alimentares Resilientes (RFSI, na sigla em inglês), desenvolvido pela plataforma Economist Impact.
De acordo com a análise, o país obteve uma pontuação global de 76,83 pontos, ficando à frente de França, com 76,75 pontos, e do Reino Unido, com 76,34 pontos.
O índice avalia a resiliência dos sistemas alimentares com base em quatro pilares: qualidade e segurança, acessibilidade, disponibilidade e capacidade de resposta aos riscos climáticos. No caso português, o melhor desempenho foi registado no pilar “Qualidade e Segurança”, no qual o país alcançou 88,53 pontos numa escala de 0 a 100.
De acordo com o RFSI, esta pontuação foi impulsionada “por uma diversidade alimentar e uma qualidade proteica muito elevadas, a par de normas nutricionais rigorosas e um elevado desempenho em matéria de segurança alimentar”.
Resposta aos riscos climáticos é o pilar mais fraco
A “Capacidade de Resposta aos Riscos Climáticos” foi o pilar em que Portugal registou o desempenho mais baixo, com 69,41 pontos. Segundo a Economist Impact, a resiliência do sistema alimentar nacional poderia ser reforçada, em particular na “redução da exposição a riscos físicos” e na promoção de “esforços de mitigação e adaptação”.
Nos restantes pilares, Portugal obteve 79,23 pontos em “Acessibilidade”, dimensão associada ao preço, e 71,06 pontos em “Disponibilidade”, ligada à variedade de alimentos disponíveis.
O índice identifica ainda como lacunas do sistema português as “despesas públicas com investigação e desenvolvimento agrícolas”, onde Portugal obteve 33,15 pontos, e a “exposição a riscos físicos”, com 50,73 pontos.
Proteína, segurança alimentar e qualificação agrícola entre os pontos fortes
Entre os indicadores com melhor desempenho, Portugal alcançou a pontuação máxima na “quantidade de proteína de alta qualidade na dieta”, com 100 pontos.
O país obteve também classificações superiores a 90 pontos na “acessibilidade de uma dieta saudável para os 40% mais pobres”, com 98,82 pontos, na “acessibilidade de uma dieta saudável”, com 97,18 pontos, na “segurança alimentar”, com 94,28 pontos, na “gestão de catástrofes”, com 93,98 pontos, e na “mão-de-obra agrícola inclusiva e qualificada”, com 92,44 pontos.
Outros indicadores avaliados acima dos 60 pontos incluem “padrões nutricionais”, com 80,17 pontos, “perspetivas de risco sociopolítico”, com 76,65 pontos, “acesso a recursos agrícolas”, com 75,67 pontos, e “compromissos políticos em matéria de segurança alimentar e acesso aos alimentos”, com 75 pontos.
O índice atribui ainda a Portugal 73,77 pontos no “crescimento da produtividade do setor agrícola”, 71,47 pontos na “variação dos custos médios dos alimentos”, 68,50 pontos nos “programas de rede de segurança alimentar”, 68,22 pontos em “mitigação e adaptação”, 67,71 pontos em “comércio agrícola”, 67,17 pontos em “cadeias de abastecimento agroalimentares eficientes” e 64 pontos na “volatilidade da produção agrícola”.
A classificação global evidencia, segundo o índice, uma distribuição desigual da resiliência alimentar a nível internacional. Enquanto Portugal lidera a tabela, a República Democrática do Congo surge como o sistema mais vulnerável. Entre os dois países existe uma diferença de 42 pontos na pontuação do RFSI.

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