O consumo mundial de vinho caiu 2,7% em 2025, para 208 milhões de hectolitros, atingindo o nível mais baixo desde 1957, segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Portugal contrariou a tendência global, com um aumento de 5,6% no consumo.
De acordo com a OIV, nove dos 10 principais mercados mundiais registaram quebras no consumo no ano passado. Os Estados Unidos da América (EUA) mantiveram-se como o maior mercado, com 15% da procura global, mas registaram uma redução de 4,3%, para 31,9 milhões de hectolitros. Já França representou 11% da procura mundial e Itália 10%.
Na Europa, a descida foi observada em vários mercados relevantes para o setor vitivinícola. Itália registou uma quebra de 9,4%, a Rússia recuou 5,5%, Espanha caiu 5,2%, a Alemanha diminuiu 4,3% e França registou uma redução de 3,2%. A China apresentou uma descida de 13%.
Portugal destacou-se entre os principais mercados por apresentar crescimento do consumo, impulsionado pela procura interna. Fora da Europa, o Brasil também registou uma evolução positiva, com um aumento de 41,9%.
O relatório da OIV indica que o consumo mundial tem vindo a diminuir desde 2018, acumulando uma quebra de 14%. A organização associa esta evolução a alterações nas preferências dos consumidores, incluindo a menor popularidade do álcool entre os jovens, bem como a crises que afetaram o poder de compra. A OIV aponta ainda fatores climáticos, aumento dos custos de produção e tarifas alfandegárias como elementos com impacto no mercado.
Segundo o diretor-geral da OIV, John Barker, a procura deixou de estar centrada no consumo em massa de vinhos de mesa mais baratos num grupo restrito de países, passando a incidir sobre categorias mais caras.
A quebra no consumo tem sido acompanhada por uma redução da área mundial de vinha. Em 2025, a superfície vitícola diminuiu pelo sexto ano consecutivo, para 7 milhões de hectares, uma redução de 0,8% face a 2024. Segundo a OIV, os principais países produtores nos dois hemisférios estão a ajustar as áreas de vinha às condições de mercado.
Apesar da retração da área plantada e do consumo, a produção global de vinho aumentou 0,6% em 2025, para 227 milhões de hectolitros. O crescimento ocorre após 2024 ter registado o nível de produção mais baixo desde o início das observações.
A organização sublinhou ainda que a diferença entre produção e consumo deve ser analisada tendo em conta os usos industriais do vinho. “Embora a produção pareça maior que o consumo, é preciso levar em conta os usos industriais, como destilação, vinagre, produtos à base de vinho e bebidas destiladas. Estima-se que esses usos representem uma média de aproximadamente 30 milhões de hectolitros por ano”, referiu o responsável.
No comércio internacional, as exportações mundiais de vinho recuaram 4,7% em volume, para 94,8 milhões de hectolitros. Em valor, a quebra foi de 6,6%, para 33.800 milhões de euros, ficando 4,4% abaixo da média dos últimos cinco anos.
A OIV atribui a descida no comércio internacional às tarifas impostas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, aos vinhos importados pelos Estados Unidos, à diminuição da procura nos principais países consumidores e a flutuações cambiais. O preço médio dos vinhos exportados caiu 2,1%, para 3,56 euros por litro.

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