A onda de calor que atingiu a Europa em junho terá provocado perdas de 9 milhões de toneladas na produção de cereais e oleaginosas, com um impacto estimado em 2 mil milhões de euros em receitas perdidas para os produtores.
A estimativa é da Coceral, associação europeia do comércio de cereais e oleaginosas, e abrange culturas como trigo, cevada, milho e aveia.
A quebra estimada poderá fazer com que os 27 Estados-Membros da União Europeia (UE) e o Reino Unido registem a menor colheita desde 2018. A perda de produção é superior à produção total prevista de cereais da Áustria, Irlanda e Países Baixos.
Segundo a Coceral, as perdas estão associadas ao junho mais quente já registado na Europa Ocidental. O milho foi afetado durante a fase de polinização, enquanto o trigo sofreu impacto no período de enchimento do grão, fase em que os cereais necessitam de humidade para se desenvolverem e que é determinante para a produtividade.
Com base nos preços atuais, o valor da perda na produção de grãos foi estimado pelo think tank Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU) em cerca de 2 mil milhões de euros. Este cálculo não inclui outros custos associados à onda de calor, como perdas em hortícolas ou na produção pecuária.
Tom Lancaster, analista de terras, alimentação e agricultura da ECIU, afirmou que a quebra “afetará o bolso dos agricultores, reduzindo o seu rendimento e prejudicando a segurança alimentar europeia”. O responsável acrescentou que, no Reino Unido, “já vimos três das cinco piores colheitas registadas nesta década, e as recentes ondas de calor inevitavelmente terão prejudicado os agricultores britânicos novamente”.
França, Hungria e Espanha entre os países mais afetados
A França deverá registar uma das maiores quebras de produção, com uma perda estimada de 3,4 milhões de toneladas de milho. O custo associado a esta redução deverá atingir 891 milhões de euros.
As perdas seguintes mais elevadas são esperadas na Hungria, com 2,4 milhões de toneladas, e em Espanha, com 1,4 milhões de toneladas.
Maior dependência de importações
Segundo a análise, a quebra na produção europeia poderá tornar a Europa mais dependente das importações de cereais e pressionar os preços globais das matérias-primas agrícolas.
Este cenário dependerá também da evolução da colheita no hemisfério sul no final de 2026 e início de 2027.
A redução da oferta europeia ocorre num contexto em que a disponibilidade global de culturas agrícolas também está sob pressão, devido à seca severa em regiões do sul e oeste dos Estados Unidos, com impacto na produção de grãos e carne.

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