Doenças e Pragas

Xylella: ameaça cada vez mais perto

É a doença mais falada nos últimos meses: a Xylella fastidiosa, uma bactéria que ataca oliveiras e várias outras espécies, entre as quais, vinha, citrinos ou amendoeiras. Na Europa, está identificada em Itália, onde causou enormes prejuízos em olivais, e também em França. A Comissão Europeia (CE) já aprovou várias medidas de emergência para controlo desta bactéria, evitar a sua propagação, bem como para apoiar a investigação de espécies resistentes e de formas de luta.

A falta de tratamento eficaz, a par da ampla gama de plantas suscetíveis de serem infetadas, bem como o risco de propagação da doença, levou a União Europeia (UE) a declarar a bactéria como “uma ameaça muito grave para o setor agrícola europeu”.

As medidas aprovadas preveem que os Estados-membros revelem o aparecimento de novos surtos da doença, para que possam ser delimitadas rapidamente as áreas infetadas e aplicadas medidas restritas de erradicação, que passam pela destruição das árvores doentes e de todos os exemplares hospedeiras num raio de 100 metros, independentemente do estado sanitário que apresentem no momento.

Em Portugal, o Ministério da Agricultura pôs em marcha um plano de prevenção e o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária “ganhou recentemente financiamento da Fundação da para a Ciência e Tecnologia (FCT) para um projeto de investigação onde nos vamos focar na prevenção e na análise dos hospedeiros da bactéria, para ver, nomeadamente, se as infestantes são parte do ciclo”, explica-nos Paula Sá Pereira, investigadora do INIAV responsável por este projeto.

Passaporte fitossanitário é fundamental

A investigadora afirma que a melhor forma de os agricultores evitarem que os seus pomares sejam infetados é “ter muito cuidado com a importação de material vegetal, principalmente dos países afetados, como Itália e França, mas também Costa Rica, por exemplo, comprando apenas material com passaporte sanitário”. Paula Sá Pereira defende ainda que “também nos pomares novos os agricultores devem verificar a origem das árvores e fazer o controlo dos apoios dos vetores da bactéria [insetos], isto é, manter os pomares limpos, arranjados, sem infestantes e bem nutridos”. Porque, num seminário da Expo de Milão “falou-se que há uma certa correlação entre as árvores mais frágeis e a infeção”, acrescenta a investigadora.

Xylella Fastidiosa - Foto EFSA

A Xylella tem várias estirpes, carateriza-se por um crescimento lento em meios de cultura e é uma bactéria vascular que vive no xilema das plantas, sendo transmitida por insetos. A lista de hospedeiros é extensa “com 132 espécies confirmadas, de 46 famílias diferentes (Apêndice B, EFSA, 2013)”, explica o Boletim Técnico que o INIAV elaborou sobre a doença. (http://www.iniav.pt/fotos/editor2/bt_safsv_xylella_fastidiosa__2014_final_1.pdf)

Mas “para Portugal, decidimos que as espécies a prospetar são aquelas que têm um maior impacto económico, e que têm alguma relação com Itália: videira (Vinis vinifera L.), oliveira (Olea europaea L.), amendoeira (Prunus amygdalus), laranjeira (Citrus sinensis (L.) Osbeck), loendro (Nerium oleander L.) e carvalhos (Quercus sp. L.). No entanto, não podemos esquecer a importância das pastagens na disseminação da doença, já que a X. fastidiosa é também o agente da luzerna anã (Medicago sativa L.) e da murchidão da congoça ou pervinca (Vinca major L.) (Janse et al., 2012). As plantas infestantes tais como gramíneas, ciperáceas e árvores podem ser hospedeiros da X. fastidiosa, muitas vezes sem mostrar sintomas”, acrescenta o documento.

Paula Sá Pereira explica que “a mesma estirpe que infeta as oliveiras infeta outros hospedeiros, como os citrinos, por exemplo. Assim, na nossa investigação estamos também a verificar se outros hospedeiros podem estar em perigo e como temos cá alguns dos vetores a investigação inclui o seu estudo nas condições climáticas do nosso País”.

Mais recentemente, a CE atualizou a lista específica de géneros e espécies identificadas como suscetíveis às subespécies da bactéria detetadas no território da UE e que só podem circular com passaporte fitossanitário. A lista bem como toda a informação relativa à Xylella fastidiosa pode ser consultada em http://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/page/portal/DGV/genericos?generico=14076974&cboui=14076974