Diferentes tipologias, diferentes investidores e formas de atuar. Como é que se está a investir no agronegócio?
Quando falamos em tipologias de investimento no agribusiness, as transações simples de ativos imobiliários são as operações mais referidas. Mas também existem trocas de participações sociais entre empresas, que podem ser totais, maioritárias ou minoritárias. Nos últimos anos é também notório um mix entre investimentos diretos no capital e instrumentos de financiamento alternativos, um facto que vem dar agilidade e flexibilidade na hora de financiar ou possibilitar o crescimento da empresa com a entrada de um novo sócio.
Mas que tipo de operações são efetivamente mais frequentes? Como explica Manuel Albuquerque, “estará talvez, por uma pequena margem, na venda de participações sociais minoritárias, ou totais, de empresas agrícolas. A explicação passa pela vantagem na fiscalidade, mas também porque, muitas vezes, o proprietário quer continuar envolvido no negócio, mesmo de uma forma menos direta. Há também uma percentagem relevante dos outros formatos de negócios no mercado”, frisa.
Uma alternativa de financiamento
Os fundos de dívida privados já estão a fazer algumas operações relevantes no setor. Na prática estes fundos vêm criar soluções e ocupar o espaço onde a banca tradicional não consegue chegar. Embora o crédito bancário possa ser mais barato, acaba por ter inúmeras restrições e falta-lhe flexibilidade e agilidade para poder apoiar alguns negócios. O que motiva, pontualmente, e muitas vezes como sobreposição à dívida bancária, a existência de uma linha de dívida privada. Destaque ainda para as operações de Sale and Leaseback [operação financeira e imobiliária em que uma empresa vende um ativo a um investidor e, simultaneamente, assina um contrato de arrendamento de longo prazo para continuar a utilizar esse ativo] que estão a ser exploradas cada vez mais como soluções de financiamento extra ou alternativo.
A sucessão…
Quando se pensa na sucessão dos negócios agro, algumas destas modalidades de negócio também vão ao encontro deste desafio. Factos: há muitos negócios que não têm a escala necessária para poder ser competitivos e precisam de capital para potenciar o seu crescimento. Acresce ainda que o sul da Europa tem uma base de proprietários de negócios agrícolas relativamente envelhecida e que, muitas vezes, a geração seguinte não tem interesse em continuar o negócio.
É aqui que entram investidores institucionais com escala, muitas vezes com origem em geografias distantes, e com interesse nas mesmas culturas ou semelhantes e que podem complementar as suas janelas de produção e oferecer produto 365 dias por ano aos seus clientes retalhistas: “Estas empresas têm conhecimento e tecnologia e querem entrar nestes negócios, mas mantendo o know-how familiar e local da família que fundou o negócio. E o que estamos a observar é que se dá uma continuidade e uma resiliência ao negócio com a entrada desse novo sócio, sem necessariamente significar que os fundadores ou os proprietários anteriores tenham de sair completamente do negócio”, explica Manuel Albuquerque.
Na prática, estes modelos permitem profissionalizar e revitalizar a empresa agrícola, sem que o proprietário perca completamente o controlo e a posse da terra. Mas, aqui, é preciso pensar no investidor certo para as necessidades concretas da empresa agrícola: “Há investidores, por exemplo, que não fazem nunca negócios de 100% [do capital da empresa], fazem sempre parcerias. Temos de ter o cuidado de casar as partes certas para que haja esse entendimento. E lá está, num mercado que ainda é pouco maduro e pouco transparente, esse é o nosso papel, da CBRE, de encaixar essas peças”, conclui.

