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Alqueva

Crescer atrás da água

Alqueva Banza
Levaram para casa o prémio Vida Rural Agricultor Alqueva 2015. E o caso não é para menos. Há quatro anos estes dois irmãos tinham pouco mais de 300 hectares na zona de Aljustrel. Hoje exploram perto de 950, numa lógica de experimentação, diversificação e, sobretudo, de correr atrás das oportunidades de negócio que a chegada da água de Alqueva trouxe. Mas João e Joaquim Banza não vão ficar por aqui. Há mais ambição no horizonte destes irmãos, que também sonham com a pecuária.

Longe vão os tempos em que o pai de João e Joaquim Banza produzia hortícolas em cerca de três hectares, que levava em carroça para o mercado de Aljustrel. 40 anos depois, os filhos são uma referência da agricultura do sul do país e um exemplo da transformação que o regadio pós-Alqueva trouxe à região.

É em Montes Velhos, no concelho de Aljustrel, que está a sede da empresa e foi também aqui que o patriarca Banza começou as explorar as terras de renda que mais tarde viria a comprar. Quando os filhos, que nunca se imaginaram a fazer outra coisa que não fosse agricultura, herdaram a exploração agrícola esta já tinha perto de 300 hectares.

João Banza conta a história: “Até meados dos anos 80 tínhamos cerca de 130 hectares, nessa altura com tomate de indústria, milho e também muito grão-de-bico de sequeiro, com alta rentabilidade. Nos anos 90, na altura tínhamos pouco mais de 20 anos, constituímos a sociedade familiar Agrovalelongo. O meu pai já sabia da nossa vontade em viver da agricultura e termos o nosso próprio negócio. Fazemos o que gostamos, isso é o mais importante, e conseguimos ir crescendo aos poucos”.

Os primeiros pivots

Em 1999 os irmãos Banza fazem prospeção de água e montam os primeiros três pivots. Na altura, ainda em moeda antiga, um investimento de 45 000 contos, para o qual tiveram de pedir um empréstimo bancário. Começaram então a fazer milho em maior escala: “Anteriormente já fazíamos milho com boas produções, nos anos 80 já conseguíamos 15 toneladas de produtividade. Hoje não é novidade chegar às 17/18 toneladas, mas na época era muito bom”, lembra João Banza. Depois veio a beterraba-sacarina, cultura na qual também entraram na zona da alta produtividade e chegaram mesmo a ser os melhores produtores a nível nacional. As altas produções permitiram também boas rentabilidades. De tal forma que o empréstimo pedido para a compra dos pivots, que tinham previsto pagar em cinco anos, foi amortizado em apenas um ano e meio.

Dois anos depois, em 2001, colocam outros dois pivots. “Começámos a canalizar a água cada vez para mais longe, com rega enterrada e tudo automatizado e computadorizado. Mesmo debaixo dos pivots tínhamos gota a gota, quando não se fazia milho fazíamos tomate, pimento ou melão e melancia”, conta.

Correr atrás da água

Quando finalmente chegou a água de Alqueva a sociedade contabilizava 5 pivots. Mas a terra já não chegava. Por isso, em 2004 avançam para a compra de uma propriedade de 80 hectares em Ferreira do Alentejo, uma das primeiras áreas a ser beneficiada pelo perímetro de rega de Alqueva. “Pagámos na altura mais de 700 000€ pela terra, um preço astronómico, ninguém comprava terra a esse preço, exceto os espanhóis”, explica Joaquim Banza. Mas a garantia de água falou mais alto: “Nós estávamos aqui no Roxo, uma barragem que em 40 anos só teve 10 anos de água sem restrições. Estávamos fartos de querer andar e não podermos por falta de água. Podíamos ter comprado uma propriedade ligada à nossa com cerca de 200 hectares, mas optámos por Ferreira. Vínhamos de anos de furos, com racionamento de água… para crescer tivemos de ir atrás da água”, conta Joaquim.

irmãos Banza

Mais um empréstimo, desta vez de 600 000€, que previam pagar a 10 anos. Mais uma vez, amortizaram em tempo recorde, em apenas quatro. A ajudar, de novo a beterraba-sacarina que cultivaram ininterruptamente até 2008, mas também milho, melão e tomate. Sem deslumbramentos, os irmãos reconhecem que o sucesso obriga a muito suor: “Conseguimos isto porque trabalhamos muitas horas, sem fins de semana nem feriados… as mulheres queixam-se um bocadinho, mas temos uma boa equipa de trabalho”.

Alqueva foi o motor do crescimento da sociedade. De 300 hectares passam para cerca de 950 hectares. Atualmente, 500 hectares próprios e os restantes arrendados. Aljustrel, Montes Velhos, Ferreira do Alentejo, Santa Vitória e Serpa são o perímetro de trabalho destes agricultores. “Onde a EDIA fornece água é onde vamos”, diz João Banza. E, desde que assegurados acordos com proprietários, a ideia é continuar a crescer. João Banza refere que beneficia do nome da família ‘bem limpo’: ”O meu pai sempre foi contra a Reforma Agrária e a ocupação da terra. Para ter uma ideia, ele era rendeiro da família Passanha, antes do 25 de abril. E durante anos pagou duas rendas, uma ao Estado e outra aos proprietários. Isto porque a terra em questão não foi ocupada, mas sim nacionalizada, os rendeiros dos Passanha não a quiseram ocupar e o Estado nacionalizou. Por isso pagou duas vezes renda pela mesma terra”, recorda.

Questionados quanto ao receio que muitos alentejanos têm de reconverter para o regadio, os Banza acreditam que ainda são traumas da Reforma Agrária e do 25 de abril. “Os mais novos, a nova geração, está interessada, estão com vontade de investir. Mas os seus pais ainda pensam nas expropriações. Temos de perceber que saíram das suas terras, desligaram-se até perto dos anos 90. As terras são exploradas no sequeiro, com baixo risco, mas também com baixa rentabilidade. Os proprietários não querem investir. Até porque passar do sequeiro para o regadio não é fácil, é preciso conhecimento cultural, de máquinas, de mercados de futuros. As pessoas com 60 ou 70 anos não querem andar a vender o trigo e a colza no mercado de futuros”, refere João Banza.

As novas culturas

A papoila é uma das novas culturas no Alentejo. A chegada de duas agroindústrias criou uma oportunidade de negócio que tem cativado os produtores da região. “Não é fácil de fazer, mas as empresas dão um bom apoio técnico e atualmente já somos os maiores produtores de papoila”. As maiores dificuldades parecem ser burocráticas. Joaquim Banza aponta que este ano a cultura foi adiada quase três meses por causa dos atrasos nas licenças.

O ano passado conseguiram uma produtividade de 12 kg de morfina, mas este ano esperam mais, com uma previsão de cerca de 15 a 20 kg de morfina, “que já é um valor aceitável. Nós gostamos sempre de ter boas produtividades, embora nos paguem ao hectare”, refere.

De regresso está o grão-de-bico, arredado dos campos nos últimos anos, mas que em 2015 marca presença. Joaquim explica a opção: “Faz parte do leque de culturas que podemos cultivar em opção ao pousio. Existem cinco culturas fixadoras de azoto: grão, ervilha, fava, tremoço e tremocilha. Em vez de fazer pousio optamos por essas culturas. Desde que não dê prejuízo, permite melhorar o solo”, revela. Esta cultura está a ser feita em sequeiro, mas também em regadio, com um campo experimental, em parceria com o INIAV, que está atualmente debaixo de pivot, e que ainda não colheram, pelo que não se conhecem produtividades.

Os melhores resultados vieram dos campos de sequeiro ajudado com rega de canhão. Joaquim acredita que ”tem a ver com os terrenos”, mas João intervém: “e talvez com as abelhas. Porque o campo onde existiam abelhas perto produziu muito mais.

Há dois anos que estão a apostar na cebola de consumo, que vendem para a Agromais. A média de produtividade ronda as 40-60 toneladas, mas este ano espera produzir mais, “se não houver azar deve chegar às 80 toneladas, quase o dobro do habitual”. Explicações? “Anteriormente entrou em terrenos que não eram muito uniformes e tivemos alguns problemas. Este ano mudámos de local e a cebola está excelente”, frisa Joaquim.

A colza também é uma novidade, com cerca de 78 hectares, que vendem para a Sovena. Os Banza apontam que não é uma cultura para ganhar muito dinheiro, mas tem a vantagem de entrar na rotação: “É uma cultura que sai cedo, em maio. No sequeiro, basicamente, substitui o girassol. A colza é semeada de inverno, recebe a água da chuva, é muito rústica. O girassol é uma cultura de mais risco, é semeado na primavera, se falha o timing de sementeira… E quando há bons preços no milho retiramos a colza no fim de maio e ainda semeamos o milho de ciclo curto e tiramos duas culturas num ano”, explica Joaquim.

Quanto a produtividades, os produtores reportam valores mais baixos na colza de regadio debaixo de pivot. Os melhores resultados vieram dos campos de sequeiro ajudado com rega de canhão. Joaquim acredita que ”tem a ver com os terrenos”, mas João intervém: “e talvez com as abelhas. Porque o campo onde existiam abelhas perto produziu muito mais. Já li algumas coisas sobre o assunto e as colmeias junto à colza podem aumentar a produção até 30%”, adianta. Abelhas à parte, no regadio a produtividade varia entre as 3 e as 4,5 t/ha, enquanto no sequeiro a média se fica pelos 2,7, embora registem parcelas onde chegaram às 3 toneladas. Números que revelam que a cultura não é muito exigente em água e que, num ano regular de chuva, o pivot é dispensável. “É mais exigente em terra do que em água”, remata Joaquim.

Na campanha passada experimentaram semear diretamente milho depois da colheita da colza. O receio era de que o herbicida da colza pudesse afetar a cultura. Optaram por testar apenas uma pequena parte com herbicida pré-emergente. Os resultados não deixaram dúvidas: “No outro lado foi um desastre, não conseguimos dominar a colza. Mas está testado e concluímos que se pode fazer milho em cima de colza com um pré-emergente, e assim fazemos duas culturas num ano”.

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Outras rotações também foram testadas no projeto Rotalq [premiado recentemente com o Prémio Vida Rural I&D Agricultura]. “Tínhamos cevada, que tirámos em junho, fizemos milho e voltámos a semear cevada em novembro em cima do milho. Mas para isso é preciso ter rentabilidade no milho, primeiro temos de saber a quanto vendemos, daí a importância de estar nos mercados de futuros”, diz João Banza.

irmãos Banza - Alqueva

O milho para pipoca é mais uma cultura recente que acresce ao portefólio e que exportam para França, com contrato direto. Os Banza acreditam que é um bom negócio, quando se conseguem contratos. O preço é atrativo, cerca de 420 €/t, mas é preciso contabilizar 65€ de custos de transporte. Os custos de produção são ligeiramente mais baixos, porque o ciclo é mais curto, mas a produção é metade do convencional, cerca 8 a 9 t/ha.

A roda-viva das culturas

Os Banza deixaram de fazer tomate há três campanhas. O encerramento da fábrica vizinha veio colocar o clássico problema da distância. Também eles defendem a agroindústria de proximidade que, para o tomate de indústria, é inexistente na região: “Antes tínhamos 3 fábricas, uma delas mesmo em Montes Velhos, a 500 m da exploração. Essa fábrica chegou quando a barragem do Roxo chegou. É isso que hoje não acontece, a água chegou mas a indústria ainda não chegou ao Alentejo. A última fechou há 4 anos e a fábrica mais próxima está a 80/90 km, em Alcácer, mas não nos dá quota suficiente”, revelam. A alternativa é a Azambuja, a cerca de 180 km. Só que o custo de transporte tirou a rentabilidade da cultura, o que motivou a desistência. Sem mágoas, até porque, como explica Joaquim, na lógica de crescimento da empresa, o tomate acaba por não se encaixar: “É muita mão de obra, muita tonelada, muito movimento e pouco rendimento. Optámos por simplificar para crescer”.

O alho foi outras das experiências concretizadas em 2014, mas não teve seguimento nesta campanha. Culturalmente correu bem, mas não será uma aposta de futuro. Não permite fazer grandes áreas e os irmãos procuram culturas em que se possam profissionalizar: “O alho era mais uma cultura e são pequenas áreas dentro da exploração. São rentáveis, mas não se encaixam bem. Também já não fazemos melão e melancia, temos de nos profissionalizar e especializar. O milho, por exemplo, pode ter os preços baixos, mas se tivermos as terras equipadas, as ceifeiras, os semeadores e os secadores, a estrutura está lá e aguentamos um preço reduzido, não pode ser de outra maneira. Culturas mais exigentes e com menos área causam-nos mais transtorno”, explica Joaquim.

Culturas em perspetiva

Apesar da tendência na especialização, a experimentação continua. Para breve está a cultura do feijão para uma empresa indiana, um contacto estabelecido através da EDIA, que também vai testar no Ribatejo e Alto Alentejo. Esta nova cultura vai ocupar as terras depois de colhida a cevada: “Vamos testar, o contrato será nos mesmos moldes da papoila, ou seja, a empresa, no fundo, aluga a nossa terra durante 4 meses, nós fazemos os serviços e eles pagam o preço acordado no final. Queremos que corra bem. Muitas vezes quando chega uma cultura nova há agricultores que não trabalham bem. Eles dão o adubo, a semente, pagam a água e a luz, e há produtores que como têm o rendimento garantido não ligam à cultura. Nesta cultura do feijão queremos garantir que fazemos tudo bem feito”, adiantam.

A soja também está no horizonte. João Banza é o entusiasta. Já foi ao Brasil visitar explorações e acredita que “pode ir bem aqui”. Mas é preciso testar e isso ainda não foi feito, apesar de ter conhecimento de alguns ensaios feitos por universidades que não correram bem. Mas este produtor acredita que é tudo uma questão de acertar com as variedades e técnicas de sementeira: “Já aconteceu o mesmo com a colza há uns anos e agora está a resultar”.

Crescer mais em área, para já não está nos planos. Embora confesse que se sente “pequenino” quando vai ao Brasil e que crescer deve sempre fazer parte dos sonhos, João Banza admite que o crescimento tem de ser sustentado para que não se perca o rumo. A economia de escala é necessária, mas tudo vai depender da evolução das culturas.

“Temos um projeto quase a sair, uma oportunidade que surgiu através da EDIA, com quem andamos sempre de braço dado, porque eles têm toda a informação do que está disponível e fazem a ligação entre os interessados”.

A prioridade é manter ou melhorar as produções por hectare. “Gostava de crescer na beterraba, mas vamos ver se a cultura arranca e com que rentabilidade vem. A ideia é crescer no milho e no girassol, que é uma cultura interessante e que dá algum rendimento. Tudo o que seja mecanizado é bem-vindo, tudo o que meta mão de obra complica. Tudo vai acontecer em função das oportunidades que apareçam”, diz.

Mas nos olhos de João Banza já há uma nova centelha e não resiste a partilhar: “Não temos pecuária e precisamos de aproveitar os subprodutos da exploração, as palhas, o feno… se tiver um efetivo pecuário posso aproveitar aquilo que vendo mal ou a que dou pouco valor. Temos um projeto quase a sair, uma oportunidade que surgiu através da EDIA, com quem andamos sempre de braço dado, porque eles têm toda a informação do que está disponível e fazem a ligação entre os interessados”.

Na precisão é que está a virtude

João Banza olha para a mensagem no telemóvel: ‘pivot de Santa Vitória paragem de serviço’. Atualmente com 19 pivots, e com o 20.º já a caminho, estes agricultores confessam o gosto pela agricultura de precisão: “Sei tudo o que se passa e posso ligar e parar os equipamentos remotamente. Utilizamos GPS, guiamentos automáticos e usamos semeadores RTK de alta precisão [Sistema de Correção Diferencial em Tempo Real], que semeia no sítio certo, não há sobreposições, poupa-se na semente, aumenta-se a produção. Vamos seguindo a evolução da tecnologia. Pena é que haja pouca gente com capacidade para lidar com isto, muitas vezes compramos os equipamentos e depois é difícil tirar partido de todas as funcionalidades”, confessam.

Problema: a pequena parcela

Quando se fala de propriedade e emparcelamento, o tom é de exaltação. João Banza é o irmão ‘radical’. Na sua opinião, a água de Alqueva não chega a mais gente devido à estrutura da propriedade: “Os proprietários com pequenas áreas para fazerem 20 hectares de milho têm de regar 5 ou 6 parcelas, isso significa sete depósitos de adubo, sete bombas injetoras, é impensável. Eu faço 20 hectares de milho debaixo de um pivot e é só carregar no telemóvel para começar a regar”. E continua: “Sei que não há vontade política para o fazer, e é difícil, mas defendo um emparcelamento obrigatório dentro da área da EDIA. Neste momento existem proprietários com 100 hectares dispersos por 15 parcelas e que não conseguem regar. Mas se tiverem os 100 hectares contíguos podiam regar. E estamos a falar de muitos milhares de hectares nesta situação que não regam porque é pequena parcela ou regam sem rentabilidade”.

girassol irmaõs Banza

Mas não seria o emparcelamento obrigatório demasiado radical, algo ao nível de uma reforma agrária? Joaquim, mais moderado, diz que é tudo uma questão de mentalidades. “O meu irmão diz que se o agricultor não avança, tem de avançar o Estado… não acho fácil num Estado que se diz democrático… Isto não é fácil de se fazer, penso que o tempo se irá encarregar de fazer essa seleção, porque as pessoas só têm duas soluções, ou adaptam-se e são profissionais ou têm de sair do caminho. O emparcelamento vai dar-se, vai levar o seu tempo, mas vai dar-se naturalmente”… João interrompe, “Tem é de se mudar já a Constituição!” [risos].

E por via fiscal? Joaquim, que tem responsabilidades na Associação de Regantes do Roxo avança, acredita que esse deve ser o caminho: “Já se falou na possibilidade das Associações de Regantes penalizarem com taxas a pequena rega para obrigar à venda ou troca. O facto é que a renovação da zona de rega do Roxo custou 15 000€ por hectare. Mas no bloco novo que se fez para Aljustrel praticamente ninguém rega, só regam os grandes, cerca de 200 hectares. O sistema de estruturas de rega tem um custo que se for utilizado por mais agricultores é diluído”.

A experiência dos Banza durante muito tempo foi de crescimento à custa da pequena parcela, uma situação que hoje está a ser invertida com a venda das pequenas propriedades dispersas e compra de grandes parcelas. “O emparcelamento era benéfico para toda a gente, todos ficávamos a ganhar, por isso é que eu digo que tinha de ser obrigatório”, insiste João. “Mas isso era uma ditadura”, reitera Joaquim. A jornalista decide que é melhor terminar a conversa: “Vamos ver o campo!” [risos].