Quantcast
Agricultura

“O Ministério está desorganizado, mas pede organização aos produtores”

Não se pode pedir organização aos agricultores quando o próprio Ministério da Agricultura está desorganizado. As palavras são da ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, para justificar a criação do Portal Único da Agricultura, uma medida que será integrada no Programa Simplex ainda em 2020.

“Temos duas Direções-Gerais, cinco Direções Regionais e várias outras instituições e cada uma delas tem uma forma diferente de se relacionar com os produtores”, refere a ministra, enfatizando que é preciso ligar todos os circuitos para existir apenas uma via: “O sistema tem de ser integrado para podermos distribuir tarefas e pedir contas. É preciso avançar e conduzir o processo de digitalização”.

Polos de inovação

Um dos pontos de maior foco da Agenda da Inovação, recentemente apresentada, é a criação de uma Rede de Inovação. Na prática serão 24 polos distribuídos de norte a sul de Portugal, aproveitando “estruturas do Ministério da Agricultura que estão más, envelhecidas e com poucos recursos humanos”. A ideia é promover uma rede de investigação e inovação moderna e orientada para as necessidades do setor, com base no conhecimento, e que possa tornar acessível todas as ferramentas necessárias para promover a atividade agrícola, estimular o empreendedorismo e trazer jovens para a agricultura.

Um dos objetivos é criar mais proximidade com os agricultores, independentemente da sua dimensão. Uma das novidades apresentadas é que está previsto o regresso da atividade dos técnicos do Ministério da Agricultura no apoio às explorações. Desta vez sem as famosas ‘4L’, mas apoiados em tecnologia, de forma mais digital. Questionada sobre se esta atividade será exclusivamente realizada pelo ministério ou se haverá apoio a organizações privadas para a realizar, Maria do Céu Antunes referiu que o modelo está ainda em aberto: “podemos fazê-lo diretamente ou financiar Organizações de Produtores, mas deverá ser um serviço digital”, frisa a ministra.

Quanto à distribuição destes polos, ainda não foi divulgado o mapa completo, embora já sejam conhecidas sete destas futuras estruturas: a Estação Experimental de Valongo vai tratar da Iniciativa “Revitalização das zonas rurais”; a Estação Experimental de Santarém fica com a “Mitigação” e “Agricultura Circular”; a Estação Experimental de Elvas assume a “Adaptação às Alterações Climáticas” e a Estação Experimental de Tavira vai ser o polo de investigação da “Alimentação Sustentável”. Os “Territórios Sustentáveis” vão ficar em Braga, no Centro Nacional de Conservação de Recursos Genéticos Vegetais; a Iniciativa “Agricultura 4.0” vai para a Estação Experimental de Dois Portos e, finalmente, Oeiras recebe as iniciativas “Uma só Saúde” e “Transição agro Energética”.

Todos estes polos irão trabalhar em articulação com outras estruturas como Universidades, Politécnicos, Laboratórios Colaborativos e Centros de Competências.