Agroindústria

Universidade de Aveiro cria método de extração sustentável do ácido oleanólico

Universidade de Aveiro cria método de extração sustentável do ácido oleanólico

A Universidade de Aveiro desenvolveu um método mais sustentável para a extração de ácido oleanónico das folhas de oliveira. Este ácido, presente em frutas e legumes, tem propriedades antioxidantes, anticancerígenas, anti-inflamatórias e antialérgicas.

Numa nota enviada às redações, a Universidade de Aveiro explica que este método irá beneficiar as indústrias farmacêutica e do azeite e trará valor acrescentado aos milhares de toneladas de folhas que o país produz anualmente.

Ana Cláudio, investigadora do CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro e do Departamento de Química da Universidade de Aveiro, e uma das responsáveis pela descoberta deste novo método, sublinha que “o interesse no ácido oleanólico deve-se às suas propriedades benéficas para a saúde humana”. Atualmente, o método de extração deste ácido recorre à utilização de solventes orgânicos voláteis, muitas das vezes tóxicos e carcinogénicos.

Contudo, os investigadores de Aveiro conseguiram demonstrar que é possível extrair o ácido oleanólico com a utilização de soluções aquosas de líquidos iónicos a temperaturas próximas do ambiente, substituindo a utilização de solventes orgânicos voláteis e as elevadas temperaturas para o efeito.

“Este trabalho surgiu com o intuito de valorizar este subproduto através da extração e recuperação de compostos de valor acrescentado presentes nas folhas de oliveira, tais como os ácidos triterpénicos [onde o ácido oleanólico se insere]”, explica Ana Cláudio.

Assim, utilizam-se soluções aquosas de líquidos iónicos como solventes alternativos, permitindo o desenvolvimento de um processo de extração seletivo e mais sustentável. Para além de água, aponta a investigadora, “utiliza-se apenas uma pequena quantidade de líquidos iónicos, sendo que estes últimos apresentam uma pressão de vapor desprezável e, portanto, diminuem a poluição atmosférica”.

No final deste novo processo de extração do ácido oleanólico, os investigadores garantem ser ainda possível reutilizar quer os líquidos iónicos, quer as folhas de oliveira para gerar energia, contribuindo também este método para o desenvolvimento de um processo integrado em biorefinaria.