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Agricultura

Projeto luso-timorense quer ‘salvar’ o café mundial

Um trabalho de investigação que junta portugueses e timorenses está a tentar identificar variedades de plantas de café que possam, como ocorreu no início do século XX, aumentar a produção e combater o problema da ferrugem alaranjada.

Em declarações à Lusa, o coordenador da Quinta Portugal – projeto financiado pela cooperação portuguesa e que lidera o projeto -, Hugo Trindade, explicou que “o objetivo é identificar plantas promissoras de plantações existentes que, estando ao lado de outras com sintomas graves da doença e que produzem pouco, se mostram saudáveis e produtivas”.

 

As plantas mais promissoras serão marcadas, isoladas e depois verificadas, procurando identificar se se mantém produtivas e saudáveis. Caso tal aconteça, prevê-se que a produção timorense pode aumentar significativamente, duplicando em cinco anos.

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Na prática, esta nova iniciativa pretende “reatar e aprofundar o trabalho, iniciado entre 2009 e 2012, de caracterização e estudo das raças de ferrugem do cafeeiro existentes em Timor-Leste e a identificação de plantas promissoras para a criação de novas variedades de cafeeiro Arábica resistentes à doença”.

 

Recorde-se que em 1927, foi descoberto numa plantação em Timor-Leste um híbrido natural entre Arábica e Robusta, com resistência à ferrugem, mas com muito pouca produção.  A partir de 1957, a variante chega a todo o mundo e são feitos cruzamentos entre vários híbridos resistentes e cafeeiros de diferentes variedades comerciais.

Atualmente, cerca de 99% das variedades de cafeeiros tipo Arábica, com resistência à ferrugem, cultivadas em todo o mundo, têm como progenitor resistente o Híbrido de Timor (HDT). No entanto, em 2018, o diretor científico da World Coffee Research (WRC), Christophe Montagnon, alertou para o facto de o café mundial estar a perder rapidamente a sua resistência à doença da ferrugem.