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Biotecnologia

Investigadores modificam levedura para inibir crescimento de fungos em plantas

Investigadores norte-americanos criaram uma proteína que impede os fungos de derrubarem as paredes celulares, através da levedura.

Engenheiros e fitopatologistas (especialistas no estudo das doenças das plantas) da Universidade de Califórnia Riverside criaram uma proteína que impede os fungos de derrubarem as paredes celulares, bem como uma forma de produzir esta proteína em escala para aplicação externa como fungicida natural, através da levedura.

Em comunicado, a universidade explica que os cientistas, em concreto, desenvolveram uma maneira de combater uma das enzimas produzidas pelos fungos para derrubar as paredes celulares, a enzima polygalacturonases.

Naturalmente, algumas plantas produzem proteínas que inibem a ação desta enzima, as proteínas inibidoras de polygalacturonases (PGIPs). Os investigadores localizaram os segmentos de ADN dessas plantas que produzem as proteínas no feijão-verde comum e inseriram segmentos completos e parciais nos genomas da levedura de padeiro, para fazer o fermento produzir PGIPs.  A equipa usou levedura em vez de plantas porque a levedura não tem PGIP próprio que dificulte a experiência e possibilita um crescimento mais rápido das proteínas.

Depois de confirmarem que a levedura se estava a replicar com o novo ADN, os investigadores introduziram-na nas culturas de botrytis cinerea, um fungo que causa a chamada “podridão cinzenta”; e aspergillus niger, que causa mofo preto, por exemplo, em uvas.

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O estudo concluiu que a levedura conseguiu retardar com sucesso o crescimento dos fungos e que o método poderia potencialmente ser replicado em grande escala.

“Estes resultados reafirmam o potencial de usar PGIPs como agentes para inibir a infeção por fungos”, disse uma das responsáveis pelo estudo, Yanran Li. “Os PGIPs apenas inibem o processo de infeção, mas provavelmente não são fatais para qualquer fungo. Portanto, a aplicação às culturas terá provavelmente um impacto mínimo na ecologia dos micróbios vegetais”, explicou.

A investigadora acrescentou ainda que provavelmente os PGIPs se biodegragam em aminoácidos naturais, o que significa menos efeitos potenciais para os consumidores e para o ambiente quando comparados com os fungicidas sintéticos.

A investigação pretende agora garantir que as plantas apenas repelem fungos nocivos e aumentar a eficiência e o espetro de combate aos fungos.  Pode consultar o estudo completo na revista científica Biotechnology and Bioengineering.