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Agricultura

Evolução regulatória dá novo impulso às culturas geneticamente modificadas

Evolução regulatória dá novo impulso às culturas geneticamente modificadas iStock

Um artigo publicado na revista canadiana The Western Producer, assinado pelo jornalista especializado em agricultura Robert Arnason, indicou que a perceção e o enquadramento regulatório das culturas obtidas por edição genética evoluíram de forma positiva desde 2018.

Dan Jenkins, vice-presidente da empresa norte-americana Pairwise (empresa sediada na Carolina do Norte, EUA, e dedicada à edição genética de plantas), defendeu que a tecnologia está hoje a ser vista com mais abertura por reguladores, media e público em geral, em comparação com o período marcado por decisões judiciais desfavoráveis na União Europeia (UE).

 

“Atualmente, as coisas estão a avançar muito bem em todo o mundo”, afirmou Dan Jenkins.

A declaração foi feita durante um webinar do Council for Agricultural Science and Technology (organização norte-americana sem fins lucrativos dedicada à agricultura, alimentação e ambiente), onde o responsável apresentou um ponto de situação sobre a regulamentação deste avanço tecnológico, que permite alterar com precisão o código genético de uma planta para obter uma característica específica.

 

De acordo com Dan Jenkins, vários países e regiões, incluindo grande parte da América do Sul, além de Canadá, EUA, Japão, Austrália, Índia e Reino Unido, têm vindo a diferenciar as culturas geneticamente modificadas das culturas transgénicas, optando por modelos de regulamentação mais leves.

“A tendência global nas políticas é para regulações com exigências mais reduzidas, que se focam sobretudo em demonstrar a ausência de ADN estranho”, disse.

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O texto recordou ainda que, em 2018, uma decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) contribuiu para travar expectativas e investimento em várias geografias do mundo.

Segundo o artigo, a posição europeia começou, entretanto, a mudar. Em dezembro, responsáveis políticos da UE chegaram a um acordo que prevê duas categorias para culturas desenvolvidas com “novas técnicas genómicas”: uma tratada como cultura convencional e outra, com edição mais complexa, regulada como organismos geneticamente modificados (OGM).

 

Para Dan Jenkins, este reposicionamento é relevante, salientando que “a UE, neste momento, está a fazer um ótimo trabalho a inverter o rumo”, acrescentando que é possível que o bloco europeu tenha novas regulamentações em vigor até 2028.

No caso do Canadá, o artigo sublinhou que o modelo regulatório avalia o produto (a característica final) mais do que o processo, pelo que culturas editadas geneticamente podem ser tratadas de forma semelhante à melhoria convencional, desde que não exista ADN estranho.

Ainda assim, o texto apontou a incerteza dos mercados de exportação como fator de prudência, sobretudo quando está em causa a aceitação por consumidores em países com grandes populações.