Começou timidamente como uma tendência produtiva mais ligada aos produtores com experiência em modo de produção biológico, mas cedo se percebeu que, filosofias à parte, as práticas regenerativas vieram para ficar, independentemente do tipo de agricultura que se pratica ou da cultura de aposta. Regenerar faz sentido, é o caminho de futuro e a única forma de assegurar a sustentabilidade a todos os níveis, em especial a financeira.
As experiências e casos de estudo multiplicam-se e a pressão, quer legislativa, quer das cadeias de distribuição alimentares, é crescente. É preciso fazer uma transição ecológica, com sentido, metas claras e racional económico, e a agricultura regenerativa é a solução. Quem não começar agora a olhar para a necessidade desta mudança vai ficar para trás. E isso significa perder competitividade.
A ciência tem sabido trazer mais conhecimento sobre o solo, o grande ativo e foco da regenerativa, e o novo paradigma não é fácil. Aprender com a natureza, conhecer os ecossistemas e usar novas ferramentas não é linear, implica muito saber e interdisciplinaridade, e prescindir de receitas pré-feitas. E isso é, provavelmente, o mais desconcertante nesta mudança: poder assumir o risco de não ter a solução pré-definida em “caso de emergência”.
“Aprender com a natureza, conhecer os ecossistemas e usar novas ferramentas não é linear, implica muito saber e interdisciplinaridade, e prescindir de receitas pré-feitas. E isso é, provavelmente, o mais desconcertante nesta mudança: poder assumir o risco de não ter a solução pré-definida em ‘caso de emergência’.”
A verdade é que, quando se conhecem os sistemas em profundidade e se começa a trabalhar em parceria com a microbiologia, as soluções naturais aparecem. É um processo longo (trata-se de regeneração e não de magia), mas já sabemos que é possível.
Para quem acompanha os produtores neste caminho, há uma nota que ressalvo: quem começa a trabalhar com práticas regenerativas entra numa jornada de descoberta crescente e sem volta. Ver produtores da chamada agricultura “convencional” entusiasmados com a quantidade e diversidade de polinizadores e do seu papel no ecossistema é uma novidade gratificante. Ou a forma como descobriram o impacto da microbiologia do solo na produtividade das suas culturas. Ouvi-los a falar disto com entusiasmo é fascinante. E esta partilha é determinante para influenciar uma nova geração de agricultores agroecológicos. Porque isto é o futuro!
#agricultarcomorgulho

©Rodrigo Cabrita
