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Nutrição

Frutos vermelhos: dicas da nutricionista para os produtores

frutos vermelhos
Os frutos vermelhos (amora, framboesa, groselha, mirtilo, morango) representam hoje uma tendência de consumo a nível mundial. Estes frutos são cada vez mais associados a diferentes produtos, incluindo produtos não alimentares, uma vez que a sua associação parecer ter uma relação direta com o aumento de vendas.

Segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), nas últimas décadas, a produção mundial dos frutos vermelhos tem crescido de forma constante, sendo os Estados Unidos da América os maiores produtores. Também as taxas de importação na União Europeia têm vindo a diminuir. No entanto, apesar de estarmos a produzir mais, e de o consumidor estar cada vez mais interessado nestes frutos, o mercado nacional absorve pouco estes frutos. Este cenário poderá estar relacionado com o preço destes frutos para o consumidor, influenciado pelos elevados custos de produção. Para que o fator preço não seja uma condicionante, é importante educar o consumidor e criar uma relação de empatia entre este e os frutos vermelhos.

Quando falamos numa dieta equilibrada e variada, esta não incide apenas no consumo de alimentos diário. Um dos desafios do Movimento 2020 da Associação Portuguesa de Dietistas (APD) é o aumento do consumo de fruta. Considerando o preço dos frutos vermelhos, podemos pensar em incluí-los semanalmente ou quinzenalmente quando planeamos a nossa ingestão diária de 3 peças de fruta por dia, no mínimo, o que também é defendido pela APD e faz parte da essência da Dieta Mediterrânica. É importante referir que o consumo de frutos vermelhos pode ser considerado um investimento para a saúde e pode revelar-se como um comportamento alimentar saudável de frequência semanal/quinzenal. E porque pode ser considerado?

Os frutos vermelhos são frutos com capacidade antioxidante cientificamente comprovada e superior à apresentada pelos alimentos comummente consumidos. Esta resposta antioxidante tem sido referida em diferentes estudos em contexto de doenças cardiovasculares, stress oxidativo associado ao envelhecimento, resposta inflamatória e doenças degenerativas. Ainda, apresentam efeitos positivo nas funções neurológica e cognitiva do cérebro, saúde ocular assim como ao nível da integridade do ADN.

O poder antioxidante varia entre frutos, uma vez que a composição em compostos fenólicos, carotenóides e vitamina C é diferente entre estes. Por exemplo, 100 g de groselha crua asseguram 50% da RDA (Dose Diária Recomendada) de vitamina C, já 100 g de mirtilos asseguram 12%.

No entanto, todos estes frutos apresentam baixa densidade energética, são fonte de vitamina C, folato, potássio e fibra.

É importante referir que apesar da quantidade de antioxidantes nestes frutos variar, esta pode ser influenciada por fatores externos como a forma de armazenamento. Atmosferas enriquecidas em oxigénio favorecem o aumento de compostos fenólicos, por exemplo, no morango, facto este já comprovado por vários estudos científicos.

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Dica para o produtor

Sendo um fruto “pouco” consumido, podem existir dúvidas relativamente às formas de armazenamento e conservação destes frutos. É importante que se ensine ao consumidor que os frutos vermelhos têm um tempo de vida útil maior quando armazenados em ambientes de grande humidade, com pouca circulação de ar, idealmente no local mais frio do frigorífico. Estes devem ser mantidos nas embalagens de origem. Apesar destes frutos estarem aparentemente conformes durante 1 semana em refrigeração, devem ser consumidos num prazo de 3 dias.

De forma a potenciarmos o consumo dos frutos fora de época, pode recorrer-se ao método de congelação. Primeiramente deve colocar-se os frutos em tabuleiros de inox separados entre si em congelação. Posteriormente, transferi-los para sacos de congelação e colocá-los novamente em congelação. Ainda, é importante que estes frutos sejam congelados inteiros, de forma a retermos o máximo possível de nutrientes.

Finalmente, ensine o consumidor sobre o que é uma porção de cada um destes frutos.

Artigo publicado na edição de outubro de 2015 da revista VIDA RURAL