Sustentabilidade

Insetos na alimentação animal tornam setor mais sustentável

Startup usa insetos para transformar resíduos vegetais em fontes de alimentação animal

A introdução de insetos na alimentação animal pode ser benéfica para o setor agroalimentar com melhorias na sustentabilidade ambiental. A conclusão é do projeto EntoValor, que nos últimos três anos juntou a EntoGreen, Consulai, Rações Zêzere, Agromais Plus e o INIAV num investimento de cerca de 750.000 euros.

O objetivo do projeto foi promover a economia circular, uma vez que incidiu na utilização de subprodutos das agricultura e agroindústria para a produção das larvas, que depois de biodegradados serão posteriormente usados como fertilizantes orgânicos.

“As regras para uma alimentação sustentável passam por consumir com moderação, de fonte local e de produtores que assegurem o natural ciclo dos nutrientes, maximizando a eficiência de utilização dos recursos naturais e o respeito pela natureza. Com o projeto EntoValor conseguimos verificar que é possível tornar a nossa agricultura sustentável sem com isso acabar com setores de atividade considerados tradicionais, mantendo a qualidade dos nossos produtos e o respeito pelo meio ambiente”, disse Daniel Murta, fundador da EntoGreen.

Mais de um milhão de toneladas de alimentos são desperdiçados todos os anos em Portugal e a utilização de insetos na conversão de desperdícios nutricionais (subprodutos vegetais) permite criar fontes nutricionais alternativas para animais, principalmente proteicas, e novas fontes nutricionais para as plantas, fertilizantes orgânicos. Este processo permite gerar produtos finais de elevado valor nutricional e económico.

Por outro lado, a utilização destes fertilizantes orgânicos nas culturas permite reduzir a utilização de fertilizantes químicos e minerais, responsáveis pela contaminação das águas e lençóis freáticos. Assim, os fertilizantes orgânicos contribuem para melhorar a saúde do solo, favorecendo a sua estrutura, a fixação de água e a atividade de microrganismos benéficos.

Numa nota enviada às redações, os responsáveis pelo projeto explicam que, com a sua implementação, foi possível produzir carne e ovos com um menor impacto ambiental através da maximização da utilização dos recursos e da criação de novas oportunidades de negócio para o setor agroalimentar, em particular para as zonas rurais.

Entre as aplicações da iniciativa estiveram a substituição total do bagaço e óleo de soja por insetos na alimentação de galinhas poedeiras, “sem que se verifiquem alterações produtivas ou no sabor dos ovos”, e ainda a substituição parcial da alimentação de frangos, sem afetar “a produtividade e a qualidade da carne”, garantem os promotores. Importa referir que 95% do bagaço de soja é importado, desta forma Portugal conseguirá reduzir a sua dependência do mercado internacional.

As conclusões do projeto EntoValor estiveram em debate hoje, dia 22 de novembro, na Estação Zootécnica Nacional de Santarém.