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Biotecnologia

Grupo Europeu de Ética afirma que adoção da edição do genoma pode ajudar metas da UE

O Grupo Europeu de Ética em Ciência e Novas Tecnologias (EGE) afirmou que o uso da edição do genoma pode ajudar a estratégia ‘Farm to Fork’.

O Grupo Europeu de Ética em Ciência e Novas Tecnologias (EGE) afirmou que o uso das novas tecnologias que permitem editar o genoma em plantas pode ajudar a União Europeia a garantir a segurança alimentar, a reduzir o impacto da agricultura no ambiente e a cumprir a estratégia ‘Farm to Fork’. Esta conclusão foi divulgada no relatório sobre “Ética na Edição do Genoma”.

De acordo com o documento, publicado no dia 19 de março de 2021 e divulgado em Portugal pelo Centro de Informação de Biotecnologia, “o uso de tecnologias de edição de genoma em plantas pode contribuir para garantir a segurança alimentar e uma agricultura mais sustentável, reduzindo significativamente o seu impacto ambiental”.

 

No relatório, os cientistas advogam a favor das tecnologias de edição do DNA em plantas, alegando que, “graças à sua alta precisão, eficiência e baixo custo, podem ajudar a União Europeia a atingir as metas que definiu na estratégia ‘Farm to Fork’”.

Sem contestar as medidas propostas na estratégia ‘Farm to Fork’ e reconhecendo que “o modo atual de produção agrícola contribui significativamente para a crise climática”, o EGE alerta, no entanto, para a necessidade de criar alternativas viáveis e sustentáveis por forma a “assegurar a segurança alimentar, o fornecimento de recursos renováveis para produzir combustíveis, ração para alimentação animal e fibras, e a salvaguarda da biodiversidade e a proteção do meio ambiente.”

 

Depois de analisar os efeitos da utilização da edição de DNA em humanos, animais e plantas, o EGE é da opinião que a UE deve acelerar a sua utilização no melhoramento de plantas. Segundo os cientistas do grupo, essa adoção levaria a uma produção mais sustentável de alimentos como permitiria fazer face à forte concorrência internacional.

Posição do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

Segundo o CiB, a grande diferença entre métodos tradicionais e edição de DNA reside no tempo e na precisão que são necessários para melhorar ou introduzir características específicas nas plantas. “Através de métodos convencionais, a modificação de uma característica pode levar até cerca de 8 anos em plantas anuais, como os cereais, enquanto a edição permite os mesmos resultados em menos de um ano”, explica o investigador Jorge Canhoto, presidente da Direção do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.

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“Para além disso, a edição do genoma é um método preciso e fiável, pois permite modificar um local preciso do genoma. Pelo contrário, a mutagénese ou a introgressão de genes, são processos aleatórios, que no final, podem não conduzir a nenhuma alteração interessante ou levar mesmo a modificações desvantajosas”, acrescenta o responsável.

“Aplicar a Diretiva que regulamenta os OGM à obtenção de plantas por edição do genoma é tão absurdo como aplicar a legislação sobre a emissão de gases de efeito de estufa às bicicletas”, alerta o presidente da direção do CiB.

 

Para Jorge Canhoto a regulamentação da edição do genoma “deve refletir as evidências científicas atuais devendo a sua adoção ou não, para cada caso específico, corresponder a uma ponderada avaliação dos riscos e benefícios”.

O relatório do EGE faz parte de um estudo mais amplo que a Comissão Europeia está a realizar a pedido dos estados-membros, com o intuito de aferir a segurança da utilização das novas técnicas genómicas, entre as quais a edição do genoma, nos setores da agricultura, indústria e farmácia.

O CiB considera que o relatório do EGE é um sólido ponto de partida para União Europeia alterar “uma legislação obsoleta, presa no tempo e sem grande ligação à realidade científico-tecnológica atual”.