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Sustentabilidade

Estudo revela como escoamento de águas agrícolas contribui para o aquecimento global

Um estudo da Universidade de Massachusetts Amherst (Estados Unidos da América) tentou perceber como os fertilizantes escoados dos campos agrícolas para as águas resultavam em óxido nitroso (N2O), um gás de efeito estufa com 300 vezes mais capacidade de contribuir para o aquecimento global que o dióxido de carbono.

Em comunicado, a universidade explica que se sabe que os micróbios no solo e o leito aquático contribuem para a conversão do nitrato existente nos fertilizantes em gás dinitrogénio inofensivo ou em N2O. No entanto, a mecânica exata dos processos de conversão tem permanecido um mistério.

 

O investigador da universidade, Matthew Winnick, descobriu que o que determina a transformação em N2O é a “eficiência da desnitrificação”, ou seja, a fração de nitrato, que chega ao leito aquático, que é submetido a várias reações no processo de desnitrificação.

Quanto maior for a eficiência do leite aquático na conversão de nitrato, menos N2O é libertado. Mas onde a eficiência da desnitrificação é baixa, o autor do estudo encontrou níveis comparativamente mais elevados de emissões de N2O.

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Além disso, o leito do riacho ao qual o nitrato acaba por ser encaminhado também desempenha um papel importante. Os leitos aquáticos que possuem pequenas zonas anóxicas, isto é, sem oxigénio dissolvido, também ajudam a prevenir a libertação de N2O.

Para descobrir isto, Matthew Winnick revisitou um grande conjunto de dados experimentais que quantificaram o N2O em 72 riachos nos EUA, através de uma combinação de modelos de reação química, que podem rastrear como o azoto é transformado através de um sistema de fluxo, e modelos de turbulência de fluxo, que capturam como as forças mecânicas do próprio rio fornecem nitrato ao leito do riacho.

 

O investigador sugere que esta nova compreensão pode ajudar a informar os esforços para a mitigação das alterações climáticas. “Aumentar a capacidade dos fluxos para processar azoto antropogénico também pode reduzir as emissões de N2O proporcionalmente”, considerou.

O estudo foi publicado na revista científica AGU Advances.