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Sustentabilidade

Cientistas pedem que metas globais de conservação incluam os fungos

Uma carta publicada na revista científica Science apela para que as metas globais para a conservação da biodiversidade incluam os fungos.

Uma carta publicada na revista científica Science, assinada por quatro cientistas internacionais, entre os quais uma portuguesa, apela para que as metas globais para a conservação da biodiversidade incluam todos os fungos. As metas vão ser aprovadas na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15), que irá decorrer em Kunming, China, de 11 a 24 outubro.

A missiva, liderada pela investigadora do Centre for Functional Ecology da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Susana C. Gonçalves, considera que “é chocante que apenas umas escassas 425 espécies, dos milhões de espécies de fungos que habitam o planeta, tenham sido avaliadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) para a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas”.

A investigadora portuguesa sublinha, citada em comunicado da Universidade de Coimbra, que com a carta “pretende-se que incluam explicitamente o Reino Fungi nos alvos designados através da inclusão do termo funga, substituindo em todos os documentos a expressão ‘fauna e flora’ por ‘fauna, flora e funga’”.

Importância dos fungos

Susana C. Gonçalves – investigadora do Centre for Functional Ecology da FCTUC

Susana C. Gonçalves acrescenta ainda que o apelo surgiu como resposta a uma missiva anterior, também publicada na Science, que defendia “inclusão dos chamados ‘macrofungos’ (fungos cujas estruturas reprodutoras são visíveis a olho nu, por exemplo cogumelos e trufas) nas metas globais de biodiversidade pós-2020. Na nossa carta, enfatizamos a necessidade de incluir todos os fungos e providenciamos evidências de que os ‘microfungos’ merecem igual consideração”.

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Os cientistas notam na carta que, embora as pessoas associem-nos aos cogumelos, na realidade, “a maioria dos fungos não produz estruturas reprodutivas visíveis a olho nu”. Dão como exemplos os casos dos bolores e das leveduras saccharomyces.

Os autores consideram ainda que a falta de conhecimento sobre “quais os fungos com maior risco de extinção dificulta a nossa capacidade de informar as ações de conservação para apoiar essas espécies e, em última análise, fornecer soluções baseadas nos fungos para enfrentar os prementes desafios globais”.

“Os fungos suportam toda a vida na Terra. Não podemos permitir-nos negligenciá-los nos nossos esforços para travar a perda de biodiversidade”, lê-se no final da carta.

Pode consultar o apelo em: https://science.sciencemag.org/lookup/doi/10.1126/science.abk1312.