Regadio

Associação de regantes alentejana prevê ano de “calamidade” devido à seca

Associação de regantes alentejana prevê ano de “calamidade” devido à seca

A Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS) diz que este ano pode ser “de calamidade” para a agricultura da região devido à seca. Citado pela Lusa, Ilídio Martins, vice-presidente da associação, sublinha que “não temos qualquer reserva de água nas barragens de Campilhas, Fonte Serne e Monte da Rocha e apenas contamos com água proveniente de Alqueva, que vai regar uma pequena parte”.

As barragens de Campilhas e Fonte Serne, no concelho de Santiago do Cacém, apresentam um armazenamento de água de 16,3% e 33,8%, respetivamente, enquanto a de Monte da Rocha, em Ourique, no distrito de Beja, o armazenamento está nos 11,8%. Com níveis “tão baixos”, e “mais de 3700 hectares sem água para cultivo”, na campanha primavera/verão, os agricultores anteveem “o ano mais difícil de todos”, diz o vice-presidente da associação.

“Este vai ser mais um ano difícil, talvez o ano mais difícil de todos, porque temos água para regar 2800 hectares, mas ficam 3700 hectares de fora, sem qualquer acesso à água. Portanto, se não houver uma alteração de última hora, como no ano passado, estamos a ver que vai ser mesmo um ano de calamidade para muitos agricultores”, alerta.

A ARBCAS está já a elaborar um plano de utilização da água referente à campanha de primavera/verão com o objetivo de apresentar para aprovação as dotações e a sua distribuição por culturas e aproveitamentos, assim como os custos de cada operação.

“Ainda não decidimos que culturas vão ser feitas, ainda vamos atribuir dotações. Há um tarifário e as pessoas vão ser, de certa forma, livres de o fazer naquela zona onde existe água, mas atendendo ao tarifário não sei se haverá cultura do arroz”, explica Ilídio Martins em declarações à agência noticiosa.