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Agroindústria

APROLEP reclama aumento do preço do leite

Produção de leite

“Os produtores de leite terminam 2020 com o sentido de dever cumprido, porque não pararam de trabalhar para que houvesse alimento na mesa dos portugueses, apesar das dificuldades inerentes à pandemia da covid-19”, refere a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP). Mesmo assim, “persiste também entre os produtores um sentimento de injustiça, porque este foi mais um ano com o preço do leite abaixo da média europeia”, adverte.

Em outubro, Portugal registou um preço médio de 30,4 cêntimos por quilograma de leite, cerca de 4,6 cêntimos abaixo do preço médio comunitário. De acordo com a APROLEP, “foi o quarto pior preço entre os 27 Estados-membros”.

O preço do leite em Portugal esteve “sucessivamente abaixo do preço médio de Espanha e da Europa, apesar de comprarmos combustíveis, adubos e rações a um preço equivalente aos nossos colegas europeus”, lê-se no comunicado.

De acordo com a associação, só tem sido possível manter a produção de leite “recorrendo ao crédito, adiando investimentos, comprando máquinas em segunda mão ou recorrendo ao sacrifício pessoal de agricultores e familiares, que abdicam de receber uma justa remuneração pelo seu trabalho”.

“Para agravar, além da subida anunciada do salário mínimo e dos aumentos habituais da energia e dos restantes custos de produção, ocorreu nos últimos meses uma subida significativa no preço das matérias-primas e cereais usados no fabrico das rações, necessárias para equilibrar o bolo alimentar das vacas, baseada no milho e erva que produzimos nos nossos campos”, lembra a associação, acrescentando que, “apesar da ração comprada ser, em média, apenas 20% da quantidade total de alimento ingerida por uma vaca, representa cerca de 50% dos custos de uma vacaria”.

No mesmo comunicado, a APROLEP assume que a preocupação é “agravada pela decisão do Ministério da Agricultura em relação ao período de transição 2021-2022, que provocará uma perda de 12% na ajuda ao rendimento do nosso setor e mais ainda, no âmbito da reforma da PAC até 2027, com a anunciada redução das ajudas do atual RPB (Regime de Pagamento Base), devido à convergência a 100% em 2026 nas áreas de cultivo destinadas à produção de leite”.

Segundo a associação, os produtores preferiam poder dispensar os subsídios e receber um preço justo pelo leite produzido, “mas até que isso aconteça as ajudas serão essenciais para a sobrevivência do setor”.

Nesse sentido, a APROLEP “espera que sejam encontradas formas de mitigar a redução das ajudas, nomeadamente através do reforço substancial do pagamento ligado e da adoção de eco-regimes adaptados ao setor que permitam um futuro mais eficiente e  ecológico na produção de leite, compensando os agricultores pelos serviços que prestam na defesa do ambiente e no combate às alterações climáticas”, refere.

Este ano, a produção de leite “não parou, a poluição baixou e ficou demonstrado que a culpa não era das vacas nem dos agricultores”, lembra a associação.