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Biotecnologia

Investigadores criam método para sensores de monitorização da saúde das colheitas

Investigadores da KAUST desenvolveram moldes que podem ser usados no fabrico de microagulhas para a monitorização da saúde das colheitas.

Uma equipa multidisciplinar de investigadores da King Abdullah University of Science and Technology (KAUST), na Arábia Saudita, desenvolveu um novo método para criar moldes de silicone que podem ser usados no fabrico de microagulhas ultra finas para a monitorização da saúde das colheitas. Os sensores pretendem ajudar os agricultores a produzir mais sem fazer exigências adicionais à terra cultivada, através da agricultura de precisão, avança a universidade, em comunicado.

“A agricultura de precisão normalmente depende de sensores ou drones baseados no solo equipados com câmaras especiais”, diz o estudante de doutoramento Abdullah Bukhamsin, “mas não conseguem captar mudanças suficientemente cedo para permitir a intervenção”.

 

Pesquisas anteriores mostraram que medir a bioimpedância – a facilidade com que uma corrente elétrica passa através de tecidos orgânicos – pode revelar informações fisiológicas sobre uma planta, desde o seu azoto e teor de água até à presença de infeções fúngicas ou contaminantes metálicos. No entanto, face à presença de uma camada exterior espessa nas plantas que bloqueia sinais elétricos, os sensores precisavam de perfurar a superfície sem afetar as propriedades que querem medir.

Desse modo, a equipa desenvolveu moldes que permitissem a criação de microagulhas, que não provocassem danos às plantas. Esses moldes, reutilizáveis, poderiam permitir a produção em massa rentável de microagulhas em vários polímeros amigos das plantas. Quando a equipa testou a microagulha numa folha de Arabidopsis thaliana, o furo foi selado em quatro dias e a planta não foi danificada.

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Resultados dos testes de impedância

“Nos nossos testes, as medições de impedância estavam intimamente relacionadas com a luz a que uma planta foi exposta e a quão desidratada está”, disse Abdullah Bukhamsin. “Estes dados de bioimpedância poderiam ser usados juntamente com tecnologias de sombreamento e um sistema de irrigação que respondesse às necessidades reais das culturas, evitando assim o excesso de água”, explicou.

Os investigadores descobriram que esta relação era quase idêntica noutras culturas, incluindo a tamareira e a cevada. “Isto é promissor, uma vez que destaca a versatilidade da abordagem e a sua potencial aplicabilidade em diferentes plantas”, acrescentou.

O líder do estudo, Khaled Salama, avança que pretendem, em seguida, ” explorar que outros fatores ambientais afetam a impedância das plantas”. Assim como, de que maneira se pode “usar medições eletroquímicas para quantificar os níveis hormonais em diferentes espécies vegetais.”