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Agricultura

Olival moderno “pode ser sustentável e ecologicamente positivo”, conclui EDIA

Olival moderno “pode ser sustentável e ecologicamente positivo”, conclui EDIA

Os resultados do estudo da EDIA “Olival em Alqueva | Caracterização e Perspetivas” já foram apresentados. Em nota no site, a EDIA anuncia que o trabalho aponta que o olival moderno de regadio pode ser desenvolvido de uma forma sustentável e ecologicamente positiva, dependendo das práticas culturais utilizadas”.

O estudo (encomendado pelo ex-Ministro Capoulas Santos em março de 2019) revela que boas práticas como a preservação e o fomento de bolsas de biodiversidade no meio da cultura (galerias ripícolas, bosquetes, quercíneas isoladas, charcos temporários, sebes vivas e entrelinhas multifuncionais) ou a preferência pelo controlo biológico das pragas têm um “papel decisivo” nesta análise.

Os resultados também demonstraram que “o olival é uma cultura perfeitamente adaptada à região de Alqueva, com baixas exigências hídricas e resiliência à irregularidade climática, elevada rusticidade e boa resistência a pragas e doenças exigindo por isso baixas quantidades de fitofármacos”.  O relatório acrescenta que “pelo facto de ser uma cultura permanente, conjugado com boas práticas culturais como o enrelvamento nas entrelinhas, melhora a estrutura e aumenta a quantidade de matéria orgânica no solo”.

Ao nível da sustentabilidade, o estudo afirma que “é necessário aprofundar o conhecimento dos reais impactes da cultura do olival, sendo, contudo, já demonstrável que em determinados parâmeros em análise, esta cultura se revela pouco impactante”.

A empresa recorda que “o olival é a cultura mais importante de Alqueva”, constituindo de certa forma, o símbolo da nova agricultura de regadio da Região”. Em resultado disso, “a olivicultura portuguesa aumentou drasticamente a sua produtividade, o que já possibilitou um superavit de exportações”, acrescenta.

Olivicultores congratulam-se

Em comunicado, a Olivum – Associação de Olivicultores do Sul “congratula-se com conclusões do estudo da EDIA, que indica a sustentabilidade da prática agrícola associada ao olival moderno”.

As conclusões do estudo “vão ao encontro dos argumentos que a Associação de Olivicultores e Lagares do Sul tem apresentado na defesa do olival como uma cultura sustentável e eficiente na gestão de recursos naturais”.

“Estas conclusões são de extrema importância para um setor que tem trabalhado muito no sentido de combater mitos sobre a sustentabilidade do olival. Satisfaz-nos saber que o trabalho de desmitificação desenvolvido por todos os envolvidos na olivicultura, da produção de azeitona à comercialização do azeite, é agora oficialmente reconhecido através de um estudo científico munido de sólida fundamentação”, afirma o diretor executivo da Olivum, Gonçalo Almeida Simões.

“O sector do olival impacta mais de 32 mil pessoas e sendo um dos incontestáveis protagonistas do setor agroalimentar, continuou sempre ativo desde o início da pandemia, sem recorrer a lay-off ou a despedimentos. Este estudo, encomendado pelo Governo e com a prestigiante chancela da EDIA vem de forma irrefutável dar resposta a muitas questões tantas vezes postas em causa”, refere ainda o responsável.

Destaques principais

A Olivum destaca, em nota à VIDA RURAL, os seguintes pontos do estudo:

– “Durante a vida útil do olival, com a utilização de práticas culturais mais adequadas como por exemplo a cobertura do solo com espécies pratenses e/ou a incorporação da madeira das podas do solo, existe a tendência para aumentar o teor de matéria orgânica como se pode constatar nos pontos seguintes”;

– “O teor de matéria orgânica nos olivais em causa tem aumentado”:

– “O olival em vaso e em sebe não promove mais pressões ambientais do que outras culturas regadas com expressão determinante no Alentejo. Inclusive, os indicadores compulsados apontam-na como das menos potenciadoras de impactos negativos no solo (…). No entanto, sublinha que «(…) é importante monitorizar as alterações no solo, em especial, o fenómeno da erosão nos terrenos com declive moderado ou acentuado (…)»”;

– “A área ocupada no país pelo olival teve, globalmente, um ligeiro decréscimo no final do século passado e vem-se mantendo relativamente constante nos últimos 20 anos, sendo em 2018 de 179 mil hectares na Região Alentejo e de 361 mil hectares no país, correspondendo a 9,5 % da Superfície Agrícola Útil”;

– “Em especial na última década e com a passagem de sequeiro para regadio, o olival português aumentou drasticamente a sua produtividade, o que possibilitou um superavit de exportações de 250 milhões de euros. Portugal passou de uma situação de crónico importador de azeite para exportador, tendo este contributo sido alavancado nos investimentos e produção verificados no Perímetro de Rega de Alqueva”;

– “O olival é uma cultura perfeitamente adaptada à região de Alqueva, com baixas exigências hídricas e resiliência à irregularidade climática, elevada rusticidade e boa resistência a pragas e doenças exigindo por isso baixas quantidades de fitofármacos. Pelo facto de ser uma cultura permanente, conjugado com boas práticas culturais como o enrelvamento nas entrelinhas, melhora a estrutura e aumenta a quantidade de matéria orgânica no solo”;

– “O olival tem permitido uma rentabilização dos investimentos públicos de Alqueva, proporcionando uma rápida e grande adesão dos agricultores ao regadio”;

– “O olival na área de Alqueva gera uma considerável mais-valia económica, social e no emprego gerado”.

Metodologia

O estudo tentou perceber quais os verdadeiros impactes da cultura do olival, nas vertentes económica, social e ambiental e ainda identificar as condições para promover a sua sustentabilidade.

A EDIA coordenou este trabalho que contou com a colaboração de vários organismos do Ministério da Agricultura – a Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo (DRAPALE), o Instituto Nacional de Investigação Agrícola e Veterinária (INIAV) e a Direção Geral de Agricultura e Veterinária (DGAV). Este estudo foi encomendado pelo Governo à EDIA, em 2019.

Pode consultar o estudo completo aqui.