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Biotecnologia

Resposta das plantas à luz é alterada por cientistas norte-americanos

Uma equipa de investigadores, liderada pela Universidade da Califórnia em Riverside (Estados Unidos da América), descobriu como as plantas respondem à luz e como ativar essa reação genética de forma a encorajar a produção alimentar.

A universidade, em comunicado, considera que a descoberta pode ajudar a aumentar a produção de alimentos. As plantas são capazes de sentir luz e temperadora através do pigmento fitocromo B, sendo que este pigmento controla o ADN da planta através de uma família de oito proteínas chamadas PIFs.

 

Além de controlar a quantidade de PIFs que se acumulam em células vegetais, os cientistas aprenderam que, quando o fitocromo B é ativado pela luz, inibe a atividade das PIFs.

“As PIFs são como chefs num restaurante. Consegue-se controlar o seu número. Mas se nos livrarmos de metade, por exemplo, a produtividade do restaurante é reduzida”, explicou o investigador principal Meng Chen. “Em alternativa, poderia-se manter todos os chefs – no nosso caso, PIFs – mas amarrar as mãos. Isso também poderia abrandar o seu trabalho da mesma maneira que se livramos de metade deles. É o que estamos a dizer”, concluiu.

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A investigação também descobriu que as PIFs têm duas partes: uma parte que se liga aos genes, e outra que ativa os genes, que dizem à planta para desempenhar diferentes funções como o crescimento ou a floração. Este estudo encontrou a localização exata destas regiões.

Metodologia e resultados

Para encontrar as regiões de ativação, a equipa cortou a proteína em muitos pequenos pedaços. Depois, examinaram se alguma das peças era capaz de ativar genes e descobriram que uma delas era. Para mais detalhes, os investigadores mudaram então os aminoácidos num PIF, onde acreditavam que a região ativadora residia, e observavam como a planta reagia.

O grupo de Meng Chen demonstrou que, reduzindo a atividade das proteínas PIF, poderiam abrandar o crescimento dos caules, possibilitando que as plantas cresçam mais pequenas e produzam mesmo na sombra. “Agora sabemos como as plantas ligam e desligam os genes em resposta a mudanças na luz e na temperatura”, disse o investigador. “É o primeiro passo para controlar as suas respostas à luz e à temperatura, tornando-as mais tolerantes com ambientes diferentes, por vezes desafiantes, num clima em mudança”, concluiu.

A investigação foi publicada na revista científica Nature Communications.